Em qualquer negócio, o gerenciamento de gastos, melhoria do preço final, qualidade e mercado são algumas das principais áreas levadas em consideração. E para ajudar nesses processos, as novas tecnologias de adaptam muito bem, inclusive a inteligência artificial. E para quem pensa que isso é para grandes empresas ou indústrias, especialmente do ramo urbano, se engana. Atualmente, startups, pequenas empresas ou de porte maior têm produzido sistemas que se adaptam para qualquer tipo de negócio, até mesmo para a área leiteira. E é a tecnologia para a cadeia do leite o tema que o programa Progresso Rural da RPI começou a trabalhar ontem, 18.

Anderson Varela de Andrade, da empresa Scienco Biotech
A grande região de Ijuí é a maior produtora de leite do Rio Grande do Sul, com destaque para os municípios de Ijuí, Augusto Pestana, Santo Cristo, Santa Rosa, Cândido Godói, Crissiumal, Ajuricaba, Ibirubá e Três Passos. São cerca de 2 bilhões, 720 milhões de litros de leite por ano, o que representa aproximadamente 7,7% da oferta total do Brasil. A região de Ijuí lidera o envio de leite cru para industrialização no Rio Grande do Sul, com aproximadamente de 742 milhões de litros anuais. Esses números dão uma noção da importância do leite para as propriedades rurais e economia dos municípios.
Porém, as oscilações de preço pago ao produtor, nos últimos anos, fizeram com que muitos abandonassem a área. Mesmo assim, a produção se manteve estável, pois quem permanece no segmento passou a investir mais em genética bovina e qualidade do produto. Semana passada, durante a Expofest, no parque Wanderley Burman de Ijuí, o Milk Summit Mercosul e a Arena Láctea Inovação marcaram o debate sobre a cadeia leiteira. O Milk Summit discutiu produção, mercado, venda e outras áreas. Já a Arena Láctea Inovação contou com 12 startups de vários locais que demonstraram produtos para ajudar também o produtor.
São equipamentos que medem a gordura, proteína, água, dentre outros compostos do leite, além do tipo de leite o que, inclusive, impacta na ingestão por parte das pessoas. A Arena Láctea foi coordenada pelo Sebrae Noroeste e Missões, com sede em Ijuí. O gerente regional de inovação do órgão, Cássio Fridriczewski, enfatiza que as empresas participantes demonstraram o que há de tecnologia e inovação para facilitar o dia-a-dia do produtor, ajudar na agregação de valor dentro das propriedades e em demais elos da cadeia, também aumentar a produtividade da indústria. A RPI esteve na Arena Láctea Inovação e conversou com participantes. Segundo Cássio Fridiczewski, além da melhoria no produto final, o foco do uso da tecnologia na propriedade leiteira está na gestão e na eficiência do negócio.
Questionado sobre a acessibilidade dessas tecnologias para pequenos e médios produtores, o gerente do Sebrae regional de Ijuí ressalta que as startups adaptam as ferramentas para diferentes perfis e portes de propriedade. Ontem, as 6 horas e 30 minutos, Cássio Fridiczewski foi um dos entrevistados no programa Progresso Rural da RPI. Também no Progresso Rural, neste domingo, participou Anderson Varela de Andrade, da empresa Scienco Biotech, de Lajes, Santa Catarina, que integrou, semana passada, a Arena Láctea Inovação, na Expofest, como uma startup.
A Scienco Biotech demonstrou um teste que identifica qual tipo de proteína existe no leite, se é A1 ou A2. Isso é fundamental, pois algumas pessoas têm problemas com a proteína A1, que pode causar inflamações e desconfortos intestinais muito semelhantes aos da lactose. Nesse contexto, consumidores podem achar que possuem intolerância à lactose, quando não é. Já a proteína A2 é de fácil digestão. O desafio para o produtor rural sempre foi saber qual vaca produz o leite A2, já que visualmente os animais são idênticos. Anderson de Andrade explica que a tecnologia também ajuda a reduzir custos e tempo para o agricultor.
O teste para diferenciar entre proteínas A1 e A2 do leite é bastante prático.
Além da economia, a tecnologia ajuda na checagem do leite nos silos e no transporte, a fim de conectar os produtores aos laticínios interessados em recolher o leite A2, um produto de alto valor agregado no mercado.
Abaixo, a entrevista com Cássio Fridiczewski
Abaixo, a entrevista com Anderson Varela de Andrade