O deputado estadual Capitão Martim (Republicanos) assumirá, em janeiro, o comando da Secretaria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Progresso, ele apresentou as principais diretrizes de trabalho e destacou que a prevenção de desastres, o fortalecimento das estruturas municipais e a proteção da população estarão entre as prioridades da nova gestão.
Militar da reserva da Marinha do Brasil, o parlamentar afirmou que recebeu o convite do governador com senso de responsabilidade e destacou a necessidade de ampliar as ações preventivas diante da ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos no Estado.
Durante a entrevista, Capitão Martim lembrou os prejuízos provocados por eventos climáticos recentes, como os tornados registrados na região de Chapecó e Xaxim, além das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Segundo ele, a orientação do governador é trabalhar para que situações de emergência não resultem em mortes. O futuro secretário defendeu a adoção de medidas permanentes de prevenção, com identificação antecipada de áreas vulneráveis e planejamento para reduzir os impactos de eventos climáticos.
Entre as medidas previstas estão o mapeamento de áreas suscetíveis a desastres, a execução de obras de infraestrutura e a busca por recursos para projetos de prevenção e reconstrução. Martim também mencionou a necessidade de investimentos em desassoreamento de rios e córregos, recuperação e ampliação de diques e modernização das casas de bombas da Região Metropolitana.
Outro ponto destacado foi a realocação de famílias que vivem em locais com elevado risco de inundação. A proposta é desenvolver alternativas para essas comunidades e estabelecer áreas destinadas ao controle de alagamentos.
Na área de financiamento, o futuro secretário citou a utilização de recursos estaduais, a busca por verbas federais e a possibilidade de prorrogação do Funrigs, além da utilização de outros fundos disponíveis.
A atuação conjunta com as prefeituras também deverá receber atenção especial. De acordo com Capitão Martim, a Defesa Civil estadual terá papel de assessoramento aos municípios, oferecendo suporte técnico para o planejamento e a execução de medidas preventivas.
A proposta prevê o envio de profissionais especializados, como hidrólogos, geólogos e engenheiros, para auxiliar as administrações municipais na identificação de áreas de risco e na elaboração de estratégias de proteção.
Outro objetivo é apoiar a elaboração e a atualização dos planos municipais de contingência, documentos que estabelecem procedimentos de emergência e orientam a atuação dos órgãos responsáveis em situações de desastre.
O Estado conta atualmente com dez Coordenadorias Regionais de Defesa Civil. Segundo o futuro secretário, a estrutura regional deverá ser fortalecida, com a implantação de novas sedes em municípios como Lajeado, Passo Fundo, Caxias do Sul e Santa Maria. As entregas estão previstas para o primeiro semestre.
O envolvimento das comunidades também está entre as prioridades anunciadas por Capitão Martim. Ele destacou a importância dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, que reúnem moradores e voluntários preparados para atuar em situações de emergência.
A proposta é ampliar o cadastramento e a capacitação de voluntários, incluindo grupos de jipeiros, proprietários de embarcações e pessoas que possam colaborar em operações de resgate, transporte, organização de abrigos e assistência às famílias atingidas.
Com a criação da nova secretaria, o governo estadual pretende ampliar a integração entre os órgãos públicos e os municípios, fortalecer as ações preventivas e preparar o Rio Grande do Sul para enfrentar novos eventos climáticos.