A economista da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, afirmou em entrevista à Rádio Progresso que a economia brasileira já dá sinais de desaceleração e que o ritmo de crescimento deverá ser menor no segundo semestre deste ano. Segundo ela, a atividade econômica só não perde ainda mais força porque o governo federal tem ampliado a injeção de recursos na economia.
Patrícia destacou que, por se tratar de um ano eleitoral, mais de R$ 200 bilhões foram adicionados à atividade econômica, o que garantiu um fôlego extra ao desempenho do país. No entanto, avalia que o melhor momento da economia já passou e acredita que a desaceleração será mais evidente nos próximos meses, com tendência de continuidade em 2027.
Ao comentar o cenário eleitoral, observou que a disputa deverá ser novamente marcada pela polarização. Segundo a economista, é comum que governos utilizem políticas de estímulo à economia em períodos eleitorais, buscando criar um ambiente econômico mais favorável, o que pode refletir na percepção do eleitorado.
Ela ressaltou que o volume de recursos injetados na economia neste ano é um dos maiores já registrados no país. Apesar dos efeitos positivos no curto prazo, alertou que essa política poderá resultar em aumento da dívida pública e na manutenção de juros elevados, fatores que tendem a impactar o crescimento econômico nos próximos anos.
Patrícia Palermo comentou os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificando a medida como prejudicial, especialmente para empresas e setores que têm naquele país um importante mercado consumidor. Ela destacou que o Brasil está entre os países mais afetados pelas tarifas norte-americanas, embora o volume de exportações para os Estados Unidos represente uma parcela relativamente pequena da economia brasileira.
A economista também analisou os reflexos das adversidades climáticas sobre a economia. Segundo ela, os problemas que atingem a produção agrícola reduzem a oferta de alimentos, pressionando os preços e elevando a inflação. Esse cenário diminui o poder de compra das famílias, já que, com menos produtos disponíveis, os preços tendem a subir. Patrícia comparou essa situação a um leilão, no qual quem possui maior renda consegue manter o consumo, enquanto a parcela mais vulnerável da população enfrenta maiores dificuldades para adquirir os produtos.