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Encontro Gaúcho de Agropecuária Regenerativa em Ijuí debate resiliência climática e rentabilidade no campo

5 de agosto de 2026

Promovido pelo Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS Brasil), o 2º Encontro Gaúcho de Agropecuária Regenerativa segue até amanhã (6), em Ijuí, reunindo produtores rurais, pesquisadores, técnicos e lideranças do agro para discutir alternativas que tornem a produção mais resiliente às mudanças climáticas e economicamente sustentável. Com o tema “Sistema Regenerativo: menor risco, maior rentabilidade”, o evento acontece no Sicredi e conta com palestras, mesas-redondas e estações técnicas voltadas à recuperação da saúde do solo, redução da dependência de insumos e aumento da produtividade.
A programação reúne especialistas de diversas regiões do país e instituições parceiras, promovendo a troca de experiências entre agricultores e pesquisadores sobre práticas regenerativas já aplicadas em diferentes sistemas produtivos.

Durante entrevista à Rádio Progresso, o gerente adjunto regional da Emater/RS-Ascar, Bergson Marcos dos Santos, destacou que a agricultura regenerativa já faz parte do trabalho desenvolvido pela instituição em todo o Rio Grande do Sul. Segundo ele, a Emater participa do encontro com mais de 30 técnicos de diferentes regiões do Estado, demonstrando a importância do tema para a assistência técnica rural.

“A agricultura regenerativa dialoga diretamente com programas que já desenvolvemos, como Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, Agricultura de Base Ecológica, bioinsumos, integração lavoura-pecuária e a Operação Terra Forte. Estamos falando de clima, conservação do solo, mas também de renda para o produtor”, afirmou. Bergson ressaltou que a adoção dessas práticas precisa ocorrer de forma consciente e não por imposição.
“Se isso não impactar positivamente na renda do agricultor, dificilmente será aplicado. Por isso esses eventos são fundamentais, porque é o agricultor falando para agricultor, mostrando resultados reais.”
Ele lembrou ainda que a cobertura permanente do solo e o aumento da biomassa são estratégias fundamentais para enfrentar os extremos climáticos vividos pelo Rio Grande do Sul.
“Plantas protegem o solo, aumentam sua fertilidade e ajudam a conservar água. Em períodos de excesso de chuva ou estiagem, esse manejo faz toda a diferença na produtividade.”

O presidente do GAAS Brasil, Paulo Bufon, comemorou a grande participação do público e afirmou que o interesse demonstrado pelos produtores gaúchos reforça a necessidade de ampliar o debate sobre novos modelos de produção.
“Em muitos lugares levamos essas informações e encontramos auditórios vazios. Aqui acontece o contrário. O produtor gaúcho percebe que precisa mudar o processo de produção, sair da agricultura baseada apenas em produtos e entrar numa agricultura baseada em processos.”
Segundo Bufon, a proposta da agricultura regenerativa não é apresentar soluções imediatas, mas construir sistemas mais resilientes ao longo do tempo.
“Não existe resultado da noite para o dia. É uma construção de dois, três ou cinco anos. Nossa orientação é que o produtor comece em uma pequena parte da propriedade e vá ampliando conforme observa os resultados.”
O presidente do GAAS explicou que áreas manejadas com princípios regenerativos conseguem armazenar mais água no solo, reduzir perdas em períodos de estiagem e enfrentar melhor eventos extremos.
“Quando há maior quantidade de raízes e cobertura vegetal, o solo absorve mais água e reduz o escorrimento superficial. Isso significa menor perda de produtividade durante as crises climáticas.”

Outro ponto destacado por Bufon foi a redução da dependência de insumos químicos.
“A ideia é produzir mais em uma área menor, respeitando a natureza, recuperando a vida do solo e diminuindo o uso de produtos sintéticos. Isso melhora a produtividade sem necessidade de abrir novas áreas.”
Ele lembrou ainda que o GAAS surgiu em 2014 como um grupo de troca de experiências entre produtores e tornou-se oficialmente uma associação em 2017. Hoje, atua em diferentes regiões do Brasil promovendo a Agricultura Tropical Regenerativa.
Também presente no encontro, o secretário municipal de Desenvolvimento Rural de Ijuí, Emerson Pereira, destacou que o tema ganha importância especialmente diante dos elevados custos de produção enfrentados pelos agricultores.
“O grande desafio hoje é reduzir custos sem comprometer a produtividade. Boa parte dos fertilizantes e defensivos agrícolas é importada, o que torna a produção muito cara. As práticas regenerativas surgem justamente como uma alternativa para diminuir essa dependência.”
Segundo o secretário, além do ganho econômico, a agricultura regenerativa promove benefícios ambientais que refletem diretamente na qualidade de vida das cidades.
“Quando falamos em renda, também falamos em meio ambiente. São práticas sustentáveis que fortalecem as propriedades rurais e geram impactos positivos para toda a sociedade.”

Emerson Pereira acredita que o momento é oportuno para ampliar esse debate entre os produtores da região.
“Os agricultores estão cada vez mais abertos a conhecer novas alternativas. Diante das mudanças climáticas e dos altos custos de produção, incorporar essas práticas passa a ser uma necessidade para garantir competitividade e sustentabilidade no campo.”
O II Encontro Gaúcho de Agricultura Regenerativa segue até quinta-feira com palestras, painéis e atividades práticas, reunindo especialistas nacionais e produtores interessados em sistemas capazes de aumentar a rentabilidade, preservar os recursos naturais e fortalecer a agricultura diante dos desafios climáticos.

Fonte: RPI

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