O Seminário Regional sobre Secagem e Armazenagem de Grãos e o Dia de Campo sobre Silo-Secador, realizados nesta quarta-feira (27/02), em Tenente Portela, reuniram especialistas, agricultores, representantes do poder público municipal e do sistema cooperativo de crédito. O objetivo foi mostrar a viabilidade econômica do sistema de secagem e armazenagem de grãos na propriedade rural, além do efeito positivo desse sistema, na saúde pública e na construção civil. Os dois eventos foram promovidos pela Prefeitura de Tenente Portela, Emater/RS-Ascar, Sicoob, Sicredi e Cresol.
Pela manhã, o seminário foi realizado na comunidade Católica de Daltro Filho e, à tarde, o dia de campo ocorreu na propriedade do agricultor Gelson Donato. O prefeito Clairton Carboni, os gerentes da Emater/RS-Ascar da região de Ijuí, Carlos Turra e Vito Cembranel, e a supervisora microrregional da Emater/RS-Ascar, Rejane Gollo Fornari, também estiveram presentes.
“O produto secado com o ar tem boa procura no mercado, por não ter cheiro de fumaça, principalmente o trigo e o milho têm mercado diferenciado, a gente consegue agregar um pouco de valor”, disse Donato, dono de três silos-secadores. Na comercialização da soja e milho, Donato estima um acréscimo aproximado de 5% no preço. “Estamos almejando a construção de mais oito pequenos silos, na casa de 400 a 500 sacas, para poder segregar maiores lotes diferentes de grãos e cultivares. No meu ponto de vista, seria bem interessante”, projetou Donato.
Com 35 anos de experiência no assunto, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Ricardo Martins, sugere que o Brasil possa se inspirar na Europa e Estados Unidos, onde 60% do milho são armazenados nas propriedades rurais.
“O produtor pode, sim, armazenar grãos na propriedade, com qualidade”, disse Martins.
“O produtor vai estar contribuindo para a saúde pública, porque o sistema de secagem é com ar natural, não contamina o milho, não contamina o trigo, é um sistema que realmente preserva a saúde da nossa população e movimenta o mercado local. Os materiais usados para construir estes silos-secadores são consumidos na comunidade, é um cara que vende o tijolo, o ferro, o ventilador, então movimenta o mercado local”, analisou Martins.
Grão furado pelo caruncho ou trincado é coisa do passado. O futuro, de acordo com outro especialista, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Volnei Righi, está de olho na qualidade. “O pagamento pelo grão se dará pela qualidade, embora o peso seja importante para quantificar o grão, ele terá um bônus muito maior ao ter qualidade comprovada em sanidade e em relação a ataques de pragas e doenças”, analisou Righi.
Construção
O projeto que envolve a construção de um silo-secador pode se adequar a todo tipo de bolso. O silo, por exemplo, pode armazenar 50 sacas ou 43 mil sacas. O que varia é a necessidade do produtor. Contudo, para todos os projetos, algo permanece invariável, o cuidado extremo com a engenharia da obra. “São feitos com simplicidade, mas com ciência”, insistiu o engenheiro agrônomo Ricardo Martins.
De acordo com o extensionista Luciano Juris, a Emater/RS-Ascar dispõe de uma planilha eletrônica que auxilia na elaboração do projeto técnico, de modo que o produtor recebe uma planta de construção e, se desejar, pode ir a uma agência bancária pedir financiamento.
Atualmente, existem linhas de financiamento, com taxas de juros que variam entre 2,5% ao ano (Pronaf) e 6% ao ano (Pronamp), com prazo de pagamento de dez anos para ambos os casos.
Incentivo
Em 2011, Tenente Portela criou o Programa Municipal de Secagem e Armazenagem de Grãos, política pública que estimula agricultores do município a armazenar grãos. De acordo com o vice-prefeito Valdir Machado Soares, o poder público municipal lança edital, estabelecendo os critérios, elaborados a partir dos anseios de entidades ligadas aos agricultores. Em razão disso, o poder público municipal disponibiliza ventiladores e motores elétricos e o agricultor se encarrega da mão de obra, necessária à construção do próprio silo-secador.
Até o momento, Tenente Portela contabiliza 37 silos-secadores, construídos em pequenas propriedades rurais, sob a responsabilidade técnica da Emater/RS-Ascar. Outros 17 silos-secadores devem ser construídos ainda neste ano.
Cooperativismo
A criação de políticas públicas que possam vir a beneficiar o agricultor depende de união. De acordo com o sociólogo da Unidade de Cooperativismo (UCP) da Emater/RS-Ascar, Renato Santos Silva, o cooperativismo e o associativismo têm fomentado no Brasil uma geração de políticas públicas, especialmente aquelas voltadas para inserir o agricultor no mercado.