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Evento promovido pela Agert e Judiciário alerta sobre coberturas de feminicídios

18 de junho de 2026

O grande desafio da segurança pública no Rio Grande do Sul é frear os casos de feminicídios. E isso cabe a todos os setores da sociedade. Por isso uma iniciativa da Agert (Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão) e o judiciário, através do Tribunal de Justiça do Estado, promoveram um encontro em Porto Alegre, com transmissão pelas redes sociais, para debater a cobertura jornalística de casos de violência doméstica contra a mulher e apresentar dados apurados pela justiça sobre este tema.

A Juíza-Corregedora Andréa Rezende Russo, titular da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do TJRS trouxe dados a respeito da atuação do judiciário no combate aos feminicídios. Ela destaca que o número de denúncias tem aumentado progressivamente desde a pandemia e ressalta que, só neste ano, mais de 19 mil medidas protetivas foram deferidas por juízes gaúchos, com média de 24 horas do período do pedido até a decisão. Andréa Russo garante que as medidas protetivas, o monitoramento de agressores e o formulário que avalia o risco real de cada caso são fundamentais e têm apresentado resultados positivos na prevenção e combate à violência doméstica. Para auxiliar no enfrentamento aos feminicídios e ao que ela chama de ciclo de violência, que vai passando níveis até chegar aos casos mais extremos, a juíza-corregedora entende que os textos jornalísticos sobre casos de violência precisam ficar atentos no enfoque às medidas protetivas, para que elas sejam instrumento de motivação para mais denúncias e mais pedidos e não o contrário, quando uma notícia pode desencorajar outras mulheres.

Para auxiliar as redações e profissionais de imprensa, a jornalista e escritora Niara de Oliveira participou do painel e apresentou as narrativas que são utilizadas no país para relatar os casos de violência. O estudo e compilado de 40 anos de matérias em jornais e portais brasileiros identificou padrões que levou Niara, em parceria com Vanessa Rodrigues, a escrever dois livros: o primeiro entitulado “Histórias de morte matada contadas feito morte morrida: A narrativa de feminicídios na imprensa brasileira” e o lançamento de “Voz ativa: O Manual do Jornalismo Antifeminicídio”, cujo objetivo é justamente quebrar o padrão que incomoda a tantas mulheres no modo em que são editadas as notícias relacionadas a episódios de violência. O primeiro passo, conforme Niara, é tratar o feminicídio como um crime de ódio, e em hipótese alguma se referir ao caso como um crime passional. A jornalista identifica que muitas vezes a motivação do crime é o primeiro item trazido na notícia, quando o correto, pelas normas jornalísticas, seria falar sobre o fato. Um exemplo é uma notícia que começa dizendo que “por ciúme, o crime aconteceu”.

Outro ponto que chama muita atenção na cobertura midiáticas, inclusive com exemplos buscados na véspera da apresentação, Niara de Oliveira destaca notícias que dizem “Mulher é morta”, ou “mulher é encontrada morta”, que justamente é narrada na voz passiva, omitindo o agressor, quando o ideal seria colocar na voz ativa, até como forma de deixar a informação mais clara: como exemplo homem mata mulher. Algo que a escritora identificou que sempre é usado quando a mulher mata um homem, nesse caso não aparecem notícias de homem é morto ou homem é encontrado morto. Niara ainda trouxe como exemplo o caso de Elise Matsunaga, que teve ampla repercussão na mídia.

Fonte: Foto: Eduardo Nichele - DICOM/TJRS
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