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Fosfato e titânio colocam a mineração no radar do público gaúcho

11 de junho de 2026
Fonte: Corey Poppe, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A mineração, muitas vezes tratada como assunto técnico ou explorada apenas como pano de fundo em narrativas de entretenimento, vem aparecendo em discussões que alcançam comunidades diretamente afetadas por novos empreendimentos. No Rio Grande do Sul, esse movimento ganha contorno concreto diante de projetos que avançam em etapas decisivas.

Muito presente no imaginário popular

A mineração já ocupa espaço conhecido no entretenimento e no imaginário popular. O filme sueco “O Abismo”, lançado em 2023 e disponível na Netflix, coloca a mineração no centro de sua narrativa. A produção acompanha os conflitos em torno da maior mina subterrânea do mundo, na cidade de Kiruna, enquanto a comunidade enfrenta riscos geológicos.

Fora da tela grande, a mineração aparece em outros formatos de consumo cultural. Plataformas digitais de jogos de apostas oferecem versões temáticas que exploram o universo das minas: no jogo Mines, por exemplo, o usuário interage com uma grade de 25 peças com estrelas e minas distribuídas aleatoriamente, revelando quadrados em busca de estrelas que aumentam o multiplicador. Clicar em uma mina encerra a partida. O formato utiliza elementos visuais e temáticos da mineração para compor uma mecânica simples e reconhecível dentro das plataformas de apostas digitais.

Fosfato em Lavras do Sul e titânio em São José do Norte

Além de circular em filmes e jogos digitais, a mineração é uma realidade econômica bem consolidada no Rio Grande do Sul. Dois projetos estão em desenvolvimento e prometem transformar regiões inteiras.

Em Lavras do Sul, uma mina de fosfato deve começar a operar em 2026, com previsão de 90 empregos diretos. O fosfato tem aplicação direta na produção de fertilizantes, o que conecta a atividade mineradora à cadeia agrícola gaúcha. Para um estado com forte presença do agronegócio, uma fonte interna de insumo para adubação representa redução de dependência de importações e maior estabilidade nos custos de produção.

Já em São José do Norte, um projeto de mineração de titânio e zircônio aguarda atualização para começar as obras. O titânio tem larga aplicação em setores industriais que exigem resistência mecânica elevada, enquanto o zircônio é insumo relevante para processos cerâmicos técnicos. Apesar da aprovação pelo Ibama e pelos órgãos competentes, o projeto terá que passar por algumas atualizações antes que possa começar. A expectativa é que cerca de 400 trabalhadores diretos sejam empregados durante a construção e cerca de 350 durante a operação, mesmo que ainda não exista uma data para o começo das operações.

Fonte: FreePik

O subsolo gaúcho virou assunto de interesse

Uma operação de mineração atinge múltiplas atividades: preparação de áreas, demanda técnica especializada, estrutura de transporte, fornecimento de insumos e efeitos sobre as cadeias já presentes no estado.

O fosfato alimenta a cadeia agrícola. Já minerais industriais, como o titânio e o zircônio, respondem a demandas específicas de setores produtivos especializados. Os efeitos dessas atividades se estendem a serviços locais, fornecedores, estudos ambientais, qualificação profissional e planejamento público, tornando essas operações relevantes para o desenvolvimento econômico regional e para a redução da dependência externa em momentos de crise internacional e desabastecimento.

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