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Milk Summit Mercosul 2026 em Ijuí destaca desafios e perspectivas do setor leiteiro

14 de outubro de 2026

O Milk Summit Mercosul 2026, realizado no Parque de Exposições Wanderley Burmann, durante a Expofest Ijuí, promove debates sobre os principais desafios e as perspectivas da cadeia produtiva do leite. Na abertura do evento, a Rádio Progresso acompanhou a programação com entrevistas e transmissões direto do Palco das Etnias, ouvindo os participantes, analistas de mercado, técnicos e representantes do agronegócio.

Os debates abordaram temas como a evolução dos preços, os custos de produção, a influência do mercado internacional, a redução do número de produtores e a importância da gestão profissional das explorações. As discussões também destacaram a necessidade de políticas públicas e de estratégias capazes de assegurar a sustentabilidade económica da atividade leiteira.

O investigador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, avaliou positivamente o primeiro semestre de 2026, período em que os produtores beneficiaram da melhoria dos preços recebidos, enquanto os custos de produção se mantiveram relativamente estáveis.

Para a segunda metade do ano, contudo, o cenário exige maior cautela. Entre os fatores de preocupação estão as incertezas climáticas, a evolução dos preços dos grãos e a pressão sobre as margens da indústria de laticínios.

A instabilidade das chuvas poderá afetar a produção agrícola e, consequentemente, os custos da alimentação animal. Uma eventual subida dos preços dos grãos representa um risco para a rentabilidade das explorações leiteiras, sobretudo das que dependem de rações concentradas para manter a produtividade.

Outro ponto de atenção é a situação das indústrias que trabalham com produtos de grande consumo, como o leite UHT e o queijo mussarela. A redução das margens poderá aumentar a pressão sobre os preços pagos pela matéria-prima aos produtores.

As importações de produtos lácteos, especialmente provenientes da Argentina, também foram apontadas como um fator de concorrência para a produção nacional, com possíveis reflexos sobre as cotações no mercado brasileiro.

A análise do cenário externo esteve a cargo de Andréas Padilla, analista sénior do Rabobank Brasil, que apresentou uma perspectiva sobre a posição do país no comércio internacional de produtos lácteos.

Segundo os dados referidos durante a apresentação, o Brasil mantém uma condição de importador líquido de leite, recorrendo ao mercado externo para complementar a oferta interna.

Padilla também destacou a influência da China, um dos principais intervenientes no comércio mundial de lácteos. O crescimento da produção chinesa nos últimos anos contribuiu para alterar a dinâmica da procura internacional, reduzindo parte da necessidade de importações e influenciando os ajustamentos da oferta global.

Para os próximos trimestres, as perspectivas para os preços internacionais dependerão da evolução da produção nos principais mercados, do comportamento da procura e das condições da oferta brasileira.

Neste contexto, o acompanhamento do mercado externo assume particular importância para a cadeia leiteira nacional, tanto pela influência sobre os preços como pelos efeitos na competitividade da produção interna.

Um dos temas de maior preocupação abordados durante o evento foi a diminuição do número de produtores que permanecem na atividade leiteira. Jaime Eduardo Ries, assistente técnico estadual da Emater, apresentou dados segundo os quais, desde 2015, cerca de 65% dos produtores considerados nos levantamentos referidos deixaram a atividade comercial.

O cenário evidencia dificuldades estruturais que afetam a continuidade das explorações, entre as quais se encontram a falta de sucessão familiar, a escassez de mão de obra, os custos laborais e a pressão sobre as margens de rentabilidade.

A permanência na atividade depende, cada vez mais, da capacidade de conciliar produtividade, controlo de custos e planeamento financeiro. Neste sentido, Ries defendeu uma abordagem empresarial da produção leiteira, independentemente da dimensão da propriedade.

A análise reforça a importância de os produtores conhecerem os custos reais da atividade e acompanharem os resultados económicos da exploração. Mais do que aumentar a produção, o desafio consiste em garantir que o volume produzido se traduza numa margem suficiente para remunerar o trabalho, cobrir os investimentos e assegurar a continuidade do negócio.

A necessidade de medidas estruturantes para fortalecer a cadeia leiteira também esteve em destaque. Darlan Palharini, coordenador do Milk Summit Mercosul, afirmou que o evento procura reunir contributos e formular propostas a apresentar aos responsáveis pela gestão pública, com o objetivo de enfrentar os problemas que afetam o setor.

Entre as prioridades estão a melhoria das condições de competitividade, o apoio à permanência dos produtores na atividade e a criação de instrumentos que contribuam para reduzir a vulnerabilidade económica das explorações.

Durante os debates, foram igualmente referidas iniciativas municipais implementadas em localidades como Panambi e Novo Xingu, apresentadas como exemplos de medidas de incentivo que podem contribuir para fortalecer a produção leiteira.

A experiência destes municípios evidencia a importância da articulação entre os diferentes níveis de governo, as entidades técnicas, as cooperativas e os produtores na construção de respostas ajustadas às necessidades locais.

Ao reunir diferentes perspectivas sobre os mercados nacional e internacional, o Milk Summit Mercosul 2026 consolidou-se como um espaço de discussão sobre os desafios econômicos, produtivos e estruturais da atividade leiteira.

Num contexto marcado pela volatilidade dos preços, pela pressão sobre os custos e pela saída de produtores da atividade, o planeamento, a profissionalização da gestão e a definição de políticas públicas consistentes surgem como fatores essenciais para assegurar a continuidade da produção leiteira no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Fonte: Rádio Progresso


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