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O fim trágico de um amor proibido: conheça a história de “Romeu e Julieta” vivida em 1930 no Alto da União

12 de abril de 2024

Há muitos anos a pequena população de Alto da União foi abalada com a notícia da trágica morte de um casal de jovens namorados. O fato dessa história “romântica”, que tem certas semelhanças com o clássico Romeu e Julieta, obra de Shakespeare, ocorreu em Carazinho, mas teve seu epílogo no cemitério da localidade de Alto da União, interior de Ijuí. Na década dos anos de 1930 moravam em Alto da União os irmãos Frederico, Olga, Adolfo e Emma Nehring, ela a principal personagem dessa história.

Ela nasceu em 1915. Eles tinham ainda mais três irmãos, Erich, Joana e Pedro. Joana faleceu em 1917 enquanto Erich e Pedro, depois que casaram, foram morar em outros lugares. Eles eram filhos do casal Gustavo e Maria Nehring. Gustavo nasceu na Alemanha e veio para o Brasil em 1890. Maria, descendente de imigrantes alemães, nasceu em São Pedro do Sul. O casal se fixou em Alto da União em 1916. Era época do coronelismo e Ijuí estava sob o comando do intendente Antônio Soares de Barros, o Coronel Dico, que tinha como um de seus homens de confiança o chamado major Luiz Amaro, considerado o principal capanga do coronel e que morava no Alto da União. A família Nehring mantinha boas relações com Luiz Amaro, talvez muito mais de respeito, pois sabiam que ele era valente e vingativo. Nessas relações, Frederico Nehring tornou-se amigo do jovem Domingos Soares Cavalheiro, filho adotivo de Luiz. Eles deveriam não apenas ter idade mas também gênios semelhantes, já que os dois eram muito valentes.

Inclusive costumavam ir juntos a bailes e festas onde eram muito respeitados.

Fruto dessa amizade, Domingos passou a frequentar a casa dos Nehring, onde conheceu Emma, a irmã mais nova de Frederico. Não apenas a conheceu, mas apaixonou-se profundamente por ela. Esse fato deu novos rumos ao relacionamento das duas famílias, já que os Nehring não aceitaram o namoro de Domingos com Emma, principalmente pelo preconceito da cor da pele, já que Domingos era mulato. No entanto, por saber do quanto ele era perigoso, a família tinha medo de proibir o namoro, e por isso teve a ideia de esconder Emma dos olhos de Domingos. Foi quando a levaram para morar em Carazinho. Mas a ideia foi inútil, já que não demorou muito para que Domingos descobrisse o paradeiro de sua amada. Aí foi o início de uma tragédia.

Segundo o livro “Os capangas do Coronel” Domingos localizou Emma em Carazinho no dia 5 de Abril de 1937. Só que ele estava armado e a obrigou a tomar um copo de guaraná com veneno. Em seguida ele fez o mesmo, suicidando-se. Os dois corpos foram encontrados na cama com um bilhete com a seguinte mensagem:

“”Para nossas famílias: quisermos viver juntos como casados e não nos deixaram, por isso decidimos morrer juntos. Pedimos que nos enterrem lado a lado no mesmo túmulo. Já que a vida nos separou, que a morte nos una para sempre. Domingos e Emma”.

Mas, o fim trágico dessa história de amor não terminou com esse episódio. Luiz Amaro colocou a culpa nos Nehring pela morte do filho e junto ao túmulo dos dois corpos sepultados na madrugada do dia 6 de Abril jurou vingança. Os Nehring, por sua vez, entendiam que Domingos era o responsável pelo trágico acontecimento e pensaram em ir embora do Alto da União, temendo represálias de Luiz Amaro, mas decidiram ficar para não perderem as terras que a família havia adquirido com tanto esforço. Mas, o que a família Nehring tanto temia aconteceu. Em 22 de junho do mesmo ano, ou seja, 1937, Frederico Nehring, irmão de Emma, foi morto numa emboscada, ao que tudo indica, a mando de Luiz Amaro. Hoje os dois estão enterrados juntos, no cemitério do interior do Alto da União, na lápide é possível ler: “aqui jaz os inditosos noivos” no entanto os nomes e datas estão parcialmente apagados.

Essa história, cujas informações e imagens abaixo foram extraídas duma matéria escrita pelo escritor e jornalista ijuiense já falecido, Ademar Campos Bindé, foi confirmada nessa semana, em entrevista pelo turismólogo de Ijuí, Vanilson Silveira. Ouça:

Na imagem abaixo, a foto do túmulo do casal,  uma foto de Emma e outra de Domingos. 

Fonte: RPI