Mais de 200 delegados representando os filiados do PCdoB do Rio Grande do Sul (PCdoB-RS) compareceram na Conferência Extraordinária do partido, realizada no último sábado, 23. O encontro, além de aprovar a incorporação do PPL (Partido Pátria Livre), marcou a posse do novo presidente estadual, o ex-deputado estadual Juliano Roso, que substitui o até então presidente Adalberto Frasson.
Em entrevista à Rádio Progresso nesta manhã, Frasson falou sobre o período em que esteve frente ao partido, e destacou a opinião do PCdoB sobre a reforma da previdência. Ele define a nova proposta como uma violência contra o povo, e cita a fala do presidente Jair Bolsonaro como exemplo, já que antes de ser eleito, ele afirmava que aposentar-se aos 65 anos é um crime com o povo.
Segundo Frasson, a reforma atinge quem menos ganha na previdência, e quem mais ganha, como o setor do judiciário e legislativo, vai continuar se beneficiando.
“No Brasil se aposentar com 65 é absurdo, depois dos 50 anos é muito difícil conseguir emprego, e não é dessa forma que será resolvido o problema da previdência”, destaca o ex-presidente do PCdoB, que afirma quo partido vai organizar o povo na rua e no congresso para tentar impedir que mais uma vez sejam retirados direitos conquistados com muita luta e suor.
Indagado sobre a opinião do PCdoB quanto ao apoio do Governo Brasileiro na entrada de ajuda humanitária na Venezuela, Frasson é claro ao dizer que não concorda. “Isso é um ato de provocação para tentar justificar uma intervenção militar. Se esses países quisessem realmente ajudar o povo da Venezuela, então a contribuição deveria ocorrer via ONU, como ocorre em outros países.”, destaca Adalberto.
Segundo ele, o Brasil está se metendo numa aventura militar, que podem resultar em consequências trágicas não apenas ao País, mas a vida dos jovens que estão servindo no exército e podem morrer numa batalha que, segundo ele, não faz o mínimo sentido.
Sobre o fato de que em 2019 o PCdoB não tem nenhum representante como deputado estadual nem no senado, Adalberto afirma que o resultado eleitoral deste ano é consequência de uma onda conservadora que se manifestou fortemente no Rio Grande do Sul. Segundo o ex-presidente do PCdoB, a sigla é a mais antiga do país, e o partido vai continuar atuando no dia-a-dia do povo.