A Consulta Popular representa uma importante conquista da população gaúcha, permitindo que a sociedade participe diretamente da definição de prioridades para investimentos públicos. A avaliação é do presidente do Corede Noroeste Colonial, Nelson Thesing, em entrevista à Rádio Progresso.
Segundo Thesing, o Corede está trabalhando em conjunto com os 28 Conselhos Municipais de Desenvolvimento (Comudes) para iniciar a elaboração dos projetos que serão encaminhados ao Governo do Estado. Cada um dos 11 municípios da região deverá apresentar três propostas: uma voltada à recuperação e melhoria das estradas, outra para ações de esterilização de animais e uma terceira destinada ao fortalecimento da agricultura familiar.
Ao todo, serão encaminhadas 33 propostas, com previsão de distribuição igualitária dos recursos entre os municípios que integram o Corede Noroeste Colonial. O presidente explicou que esse trabalho será desenvolvido nos próximos dias em parceria com a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão. Destacou ainda que, no próximo ano, a mobilização continuará junto ao Governo do Estado para garantir a efetiva liberação dos recursos destinados aos projetos aprovados.
Nelson Thesing lembrou que, nos últimos anos, o Corede atuou em diversas frentes de negociação para reivindicar a liberação de recursos que já haviam sido aprovados, mas permaneciam represados. Conforme ele, algumas entidades chegaram a esperar até três anos para receber os valores previstos.
Ele ressaltou que o avanço nas liberações só foi possível graças à união de prefeitos, deputados e lideranças comunitárias, que atuaram de forma conjunta em defesa da região. Apesar disso, lamentou que os recursos destinados à Consulta Popular tenham sido reduzidos ao longo dos anos, além da demora na sua liberação por parte do Estado.
Thesing observou ainda que o Corede Noroeste Colonial está entre os conselhos regionais que recebem os menores volumes de recursos estaduais, reforçando a necessidade de manter o trabalho conjunto das lideranças regionais para ampliar os investimentos.
Sobre a participação da população, o presidente informou que, inicialmente, foram apresentadas 130 propostas na região. Após a análise técnica, cinco projetos seguiram para votação e três foram eleitos. Na avaliação dele, o grande número de propostas demonstra o envolvimento da comunidade, porém a exigência de cadastro no GOV.BR para a votação acabou dificultando a participação de um número maior de eleitores.
Mesmo com essa limitação, Nelson Thesing acredita que ainda existe o desafio de ampliar o engajamento da população em processos democráticos que definem as prioridades de investimento para as comunidades. Conforme destacou, a média de participação nos últimos cinco anos foi de 4.865 votantes, enquanto a votação deste ano ficou abaixo desse índice.