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Presidente do Sicepot detalha à RPI impacto do corte de verbas nas rodovias federais gaúchas

22 de junho de 2026

A redução de recursos destinados pelo governo federal para a infraestrutura rodoviária tem gerado preocupação no Rio Grande do Sul. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral no Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Rafael Sacchi, a falta de recursos já compromete importantes obras em rodovias federais e pode trazer reflexos econômicos e sociais para o Estado.

Em entrevista à Rádio Progresso, Sacchi afirmou que a previsão atual aponta um déficit de aproximadamente R$ 570 milhões para a execução de obras em rodovias federais gaúchas. Entre os empreendimentos afetados estão a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, além da retomada da construção da nova ponte do Guaíba. Segundo ele, a escassez de recursos também afeta os serviços de manutenção e conservação das estradas, comprometendo intervenções consideradas essenciais para garantir a segurança dos usuários e a preservação da malha rodoviária.

Sacchi destacou que a situação decorre das dificuldades fiscais enfrentadas pelo governo federal. Conforme explicou, a União precisou promover um contingenciamento superior a R$ 20 bilhões no orçamento, atingindo diversos ministérios, entre eles o dos Transportes, responsável pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Inicialmente, o corte destinado à área de transportes foi de cerca de R$ 3 bilhões em todo o país. De acordo com o dirigente, o DNIT tem buscado alternativas para manter contratos e serviços em andamento, inclusive antecipando recursos previstos para o final do ano. No entanto, os efeitos da redução orçamentária já são sentidos em todos os estados. No caso do Rio Grande do Sul, o impacto é ainda maior devido à extensão da malha rodoviária federal administrada pelo órgão. O Estado possui pouco mais de 5 mil quilômetros de rodovias federais, a segunda maior rede do país.

Outro ponto considerado preocupante por Sacchi é o reflexo da falta de recursos sobre as obras emergenciais iniciadas após as enchentes de 2024. Segundo ele, até mesmo intervenções voltadas à recuperação de rodovias danificadas pelas cheias estão sofrendo com a restrição orçamentária. O presidente do Sicepot-RS alertou que a situação é especialmente grave em obras de contenção de taludes e estabilização de encostas, realizadas em áreas suscetíveis a novos deslizamentos. Na avaliação dele, a interrupção ou desaceleração desses trabalhos pode aumentar os riscos em caso de novos episódios de chuva intensa.

Além das questões relacionadas à segurança viária, Sacchi ressaltou os impactos econômicos da redução dos investimentos. Entre as consequências apontadas estão a diminuição da atividade das empresas do setor, a geração de desemprego, o aumento dos custos logísticos e o encarecimento das obras públicas. Ele observou ainda que os efeitos são mais severos quando atingem serviços de restauração e conservação, uma vez que a falta de manutenção acelera a deterioração das rodovias e compromete serviços básicos prestados aos usuários.

Fonte: RPI
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