Iniciou nesta semana, em Ijuí, o projeto “UETI na Escola -Cultura e Tradições em Movimento”, que será desenvolvido ao longo dos meses de junho e julho, levando cultura, história e tradição às escolas da rede municipal de ensino. Nesta primeira etapa, os Centros Culturais da União das Etnias de Ijuí (UETI) promovem atividades com representantes das etnias Afro-Brasileira, Associação Tradicionalista Querência Gaúcha (ATQG), Espanhola e Portuguesa, proporcionando momentos de aprendizagem, integração e valorização da diversidade cultural. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
Em entrevista à Rádio Progresso, a vice-presidente cultural da UETI e coordenadora do projeto, Luciana Ojczenasz Schmidt, destacou que a proposta foi criada para aproximar os estudantes das diferentes culturas que formam a identidade do município, abrangendo as 17 etnias.
Segundo ela, a iniciativa busca transformar as escolas em espaços de vivência cultural, promovendo o contato direto entre alunos, professores e representantes das diversas etnias que ajudaram a construir a história de Ijuí. O projeto possibilita que as crianças conheçam, de forma lúdica e interativa, tradições, costumes, músicas, danças, brincadeiras e histórias transmitidas de geração em geração.
Luciana ressalta que as atividades serão conduzidas pelos Centros Culturais participantes da UETI, contribuindo para aprendizagens significativas e para o fortalecimento dos vínculos entre cultura, educação e comunidade.
Durante a entrevista, ela também abordou os desafios de despertar o interesse de crianças, adolescentes e jovens pela cultura e pelas tradições em uma época marcada pelo avanço das tecnologias e das mídias digitais. Conforme a coordenadora, muitas famílias já não mantêm o hábito de compartilhar histórias sobre seus antepassados, o que faz com que diversos estudantes desconheçam suas próprias origens. Nesse contexto, ela enfatizou a importância da escola como espaço de resgate, valorização e preservação da identidade cultural.
Luciana ainda destacou a relevância de Ijuí ser reconhecida como Capital Mundial das Etnias. Segundo ela, o título foi concedido por uma organização internacional ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) e representa um reconhecimento único da diversidade cultural presente no município.
A dirigente observou que muitas pessoas ainda não têm a dimensão da importância dessa conquista. “Entre milhões de cidades existentes no mundo, apenas Ijuí recebeu esse reconhecimento. Precisamos valorizar esse título e fazer com que ele seja abraçado pelas escolas, pelo poder público, pelo setor empresarial e por toda a comunidade. É algo que deve despertar orgulho e sentimento de pertencimento em todos nós”, afirmou.