O ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, confirmou, em entrevista à Rádio Progresso, que aceitou o desafio de disputar uma vaga no Senado Federal pelo MDB. Segundo ele, após anos afastado das disputas eleitorais, decidiu colocar novamente seu nome à disposição diante do atual cenário político e institucional do país.
Rigotto lembrou que, após deixar o governo do Estado em 2006, sua última campanha eleitoral ocorreu em 2018, quando concorreu ao cargo de vice-presidente da República na chapa de Henrique Meirelles. Desde então, afirmou ter recebido diversos convites para retornar à política, mas somente agora decidiu aceitar o desafio.
O ex-governador destacou que a experiência acumulada como vereador em Caxias do Sul, deputado estadual, deputado federal e governador o motivou a buscar uma vaga no Senado. Segundo ele, o atual momento é marcado por conflitos entre os Poderes e desgaste das instituições, o que reforça a necessidade de fortalecer o papel do Legislativo.
Ao relembrar sua gestão no governo estadual, Rigotto afirmou que assumiu o Estado enfrentando dificuldades financeiras, com dívidas acumuladas da administração anterior e impedimento para contratar financiamentos devido aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mesmo diante desse cenário, disse que foi possível realizar uma administração eficiente e implementar ações voltadas à população gaúcha.
Entre os principais desafios do Rio Grande do Sul, Rigotto destacou a dívida do Estado com a União. Na avaliação dele, além da suspensão dos pagamentos até 2027, será necessário ampliar esse prazo por mais três anos para garantir condições de reconstrução após as enchentes de 2024 e enfrentar os impactos dos eventos climáticos que continuam afetando o Estado.
O pré-candidato também defendeu a revisão dos valores pagos pelo Rio Grande do Sul em razão da cobrança de juros considerados superiores ao devido, além da criação de um Fundo de Desenvolvimento para a Região Sul, nos moldes dos já existentes para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de ampliar os investimentos federais.
Rigotto ainda afirmou que o pacto federativo precisa ser rediscutido. Segundo ele, a União concentra atualmente a maior parte da arrecadação tributária, enquanto Estados e municípios recebem uma parcela menor dos recursos, situação que, em sua avaliação, precisa ser corrigida para garantir maior equilíbrio na distribuição das receitas públicas.
Sobre o agronegócio, o ex-governador defendeu uma ampla renegociação das dívidas dos produtores rurais afetados por estiagens e enchentes. Ele reconheceu a importância da Medida Provisória editada pelo governo federal para refinanciar débitos do setor, mas afirmou que a medida alcança apenas cerca de 15% dos produtores gaúchos, sendo necessário ampliar o alcance do programa diante da realidade enfrentada pelo Estado.
Rigotto também manifestou preocupação com as elevadas taxas de juros praticadas no país. Na sua avaliação, o aumento dos gastos públicos contribui para a pressão inflacionária e leva à manutenção de juros elevados. Defendeu ainda que a reforma tributária seja utilizada como instrumento para reduzir a carga tributária e estimular o crescimento econômico.
Durante a entrevista, o pré-candidato comentou ainda o papel do Supremo Tribunal Federal (STF). Na sua visão, em algumas situações ministros da Corte acabam avançando sobre competências de outros Poderes. Também afirmou que o Senado tem a responsabilidade constitucional de fiscalizar a atuação dos ministros do STF e defendeu mudanças no modelo de escolha dos integrantes da Corte.
Como proposta, Rigotto sugeriu que as indicações ao Supremo passem a contar com listas elaboradas por instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça. Caberia ao Senado selecionar nomes dessa relação, para posterior indicação final pelo presidente da República.