O aumento da circulação de veículos autopropelidos em Ijuí, especialmente das chamadas scooters elétricas, tem gerado debates sobre segurança e regulamentação. Em entrevista à Rádio Progresso, o comandante do 29º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Itamar Ferreira Walter, comentou o crescimento do uso desses veículos e os desafios que a nova realidade impõe ao trânsito da cidade.
Os veículos autopropelidos são aqueles equipados com motor próprio para locomoção, categoria que inclui patinetes elétricos, skates motorizados, monociclos e também as scooters elétricas. Segundo o oficial, a regulamentação nacional atualmente não exige Carteira Nacional de Habilitação (CNH), uso de capacete ou idade mínima para a condução desses equipamentos.
Apesar disso, Walter destacou que os municípios possuem autonomia para criar legislações complementares, estabelecendo regras específicas para circulação e utilização desses veículos. Na avaliação dele, uma regulamentação municipal poderia contribuir para aumentar a segurança no trânsito local.
O comandante também demonstrou preocupação com o aumento de acidentes envolvendo scooters elétricas em Ijuí. Embora as estatísticas completas estejam sob responsabilidade da Coordenadoria Municipal de Trânsito, já que a Brigada Militar atua principalmente em ocorrências com crimes de trânsito ou lesões corporais, ele relatou ter acompanhado três acidentes recentes envolvendo esses veículos nos últimos dois meses. Dois ocorreram na Rua Doutor Pestana e um na Rua 19 de Outubro. Em todos os casos houve lesões corporais e encaminhamento das vítimas ao Hospital de Clínicas de Ijuí.
Conforme o tenente-coronel, existe um risco potencial associado ao uso das scooters. Em alguns acidentes, motoristas relataram dificuldades para visualizar os veículos, situação que, segundo ele, tem sido recorrente. Walter também observou que, diante da ausência de regras mais específicas, há usuários circulando na contramão e desrespeitando sinalizações de trânsito, inclusive avançando semáforos fechados.
Ele atribui parte do problema à falta de conscientização de alguns condutores, principalmente jovens e adolescentes, e reforça que pais e responsáveis devem orientar adequadamente os filhos sobre o uso seguro desses veículos.
Para o comandante, a convivência entre diferentes modalidades de transporte é um desafio que a comunidade precisará enfrentar. “São novos tempos com os quais temos que conviver”, resumiu. Ele acredita que a criação de normas municipais, seguindo exemplos já adotados por outras cidades, pode ajudar a organizar o uso das scooters e reduzir os riscos no trânsito.
Ouça abaixo a entrevista completa: