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Sessão na Câmara de Ijuí aborda necessidade de conscientização sobre fibromialgia

13 de maio de 2024

A Câmara de Vereadores de Ijuí recebeu, na Sessão Ordinária desta segunda-feira (13), representantes da Associação das Pessoas com Fibromialgia, Familiares e Amigos de Ijuí (FibroIjuí). O convite, proposto pelo vereador Beto Noronha e aprovado por todos os parlamentares, foi feito em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia, que ocorre anualmente no dia 12 de maio.

A síndrome da fibromialgia (FM) é uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura. Além da dor, a fibromialgia causa outros sintomas, como fadiga (cansaço), sono não reparador (a pessoa acorda cansada), alterações de memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais. 

A secretária da FibroIjuí, Eloá do Carmo Ortiga, que também é portadora da doença, falou sobre a necessidade de conscientizar as pessoas sobre a fibromialgia, uma doença considerada “invisível”. “Muitos nem sabem o que é essa doença terrível e acham que não é nada porque eu estou aqui, perfeita, falando, não teria nada, mas por dentro, só eu e as outras que estão aí [na plateia] sabem a dor que estão sentindo e a dificuldade que é, às vezes, levantar e ficar em pé. Nossas dores são dilacerantes e tem muitas que não conseguem sair de casa”, afirmou. 

Eloá destaca ainda que considera oportunas as leis, aprovadas em esfera federal e estadual, que equiparam os portadores de fibromialgia às pessoas com deficiência (PcD), o que, na prática, garante diversos direitos a elas. “Porque realmente nossas lutas são diárias. Quem trabalha, trabalha às vezes no limiar de sua dor e é mal compreendido pela sociedade, que não entende muito bem essa dor”, salientou.

Também foi convidada para falar na tribuna a médica reumatologista Mariele Zardin Moraes, que esclareceu mais sobre a fibromialgia e os efeitos que ela tem na vida das pessoas. “É uma doença crônica, ou seja, não tem cura, acompanha o paciente até o fim da sua vida. Apesar de não causar uma mortalidade diretamente pela doença, ela causa uma morbidade muito grande para os pacientes, atrapalha muito a qualidade de vida, principalmente porque causa sintomas que, em alguns momentos, são incompatíveis com a realização de várias tarefas, inclusive tarefas do cotidiano”, explicou.

A médica também falou sobre os desafios em relação ao tema, entre eles, a falta de um tratamento multidisciplinar disponível no município, que inclua atividades físicas, fisioterapia, suporte psicológico, entre outras atividades. “A nossa ‘briga’, digamos assim, é pelo reconhecimento dela, que as pessoas enxerguem, através desse corpo perfeito, como a Eloá falou, que atrás disso tem um paciente que sofre, que tem suas limitações, suas dificuldades, e também em questão de saúde pública, para melhorar o atendimento dos nossos pacientes, melhorar a incorporação de medicamentos pelo SUS e as terapias não farmacológicas”, enfatizou Mariele.