Uma decisão tomada em meio à dor pode representar uma nova chance de vida para quem espera por um transplante. É essa mensagem que ganha força durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, conforme destacou em entrevista à Rádio Progresso a enfermeira gestora da UTI Adulto do HCI e coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) Deise Piccoli Steinke.
No Hospital de Clínicas Ijuí, o trabalho da equipe do e-DOT, mostra a dimensão desse desafio. Em 2023, foram registrados sete protocolos de doação e duas captações de múltiplos órgãos. Em 2024, foram oito protocolos e cinco captações. Em 2025, dez protocolos e três captações. Já em 2026, até o momento, são nove protocolos, com quatro doações efetivadas. Entre essas quatro doações deste ano, duas possibilitaram a captação de coração, um dos órgãos mais difíceis de transplantar devido ao curto tempo disponível entre a retirada e o implante no receptor.
Segundo Deise, o maior desafio continua sendo o momento em que a família precisa dizer “sim”. Isso porque a abordagem acontece justamente após a confirmação da morte encefálica, em um dos momentos mais dolorosos para os familiares. Por isso, segundo ela, essa conversa não deve começar no hospital, mas muito antes. Cada pessoa precisa falar com sua família sobre o desejo de ser ou não um doador. Isso porque, no Brasil, a autorização para a doação depende da família.
Não existe uma regra simples baseada apenas na idade para definir quem pode doar. A avaliação considera as condições de saúde e os exames realizados durante o protocolo. Já houve, inclusive, captação de órgãos de um doador com 82 anos.
Deise lembrou, durante a entrevista, que por trás de cada doação existe uma história de perda, mas também a possibilidade de recomeço, ela reforçou que quando um coração é captado e chega ao receptor, é como se houvesse um renascimento.
“E talvez a atitude mais importante neste Setembro Verde seja justamente a mais simples: conversar, dizer em casa: Eu quero ser um doador. Porque ninguém sabe quando poderá precisar de um transplante, e muitas vezes, a diferença entre a espera e uma nova oportunidade de viver pode começar com uma conversa dentro da própria família” destacou.