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Movimento na Expodireto se soma a esforço de produtores contra endividamento, royalties e outros temas

7 de março de 2026

Além do endividamento agrícola, resultado das frustrações das últimas safras, especialmente devido a estiagens, agricultores gaúchos também buscam soluções em relação ao percentual cobrado pelos royalties da soja, visto as sementes utilizadas no plantio. Produtores entendem que o valor dos royaltie é muito alto. Entidades também se juntam a esses movimentos.

Ontem, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG) ingressou na Justiça com ação coletiva em defesa dos agricultores familiares diante de práticas que considera abusivas na cobrança de royalties sobre tecnologias na produção de soja.

Esta é a quarta ação judicial da entidade. A ação foi ajuizada contra empresas do grupo Cultive Biotec, responsáveis pela comercialização e cobrança de royalties relacionados às tecnologias utilizadas na produção de oleaginosa. A FETAG esclarece que não questiona a importância da inovação tecnológica, mas a forma como algumas tecnologias são usadas para impor cobranças desproporcionais. Em alguns casos, tecnologias cujas patentes já expiraram ainda servem de base para cobrança, mesmo que estejam em domínio público.

Outro ponto é a falta de clareza nas informações aos produtores. Muitos agricultores são orientados a pagar por hectare, quando, na prática, a cobrança considera a produção, com referência de 66 sacas por hectare. A chamada “multa na moega”, que prevê 7,5% sobre a produção, conforme a FETAG, também penaliza quem enfrenta safras frustradas e cria pressão econômica sobre os agricultores.

E segunda-feira, 09, produtores vão fazer mobilização no primeiro dia da Expodireto Cotrijal, em Não Me Toque. Haverá presença, inclusive, de agricultores da região. De Jóia, partirá um microônibus e veículos particulares. O movimento na Expodireto é organizado pela Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER) e Movimento Securitização Já.

Segundo os promotores, haverá um cortejo simbólico com o lema “Luto pelo Agro! Se não lutar, ele morre!”. A mobilização iniciará por volta das 6 horas no local denominado Invernadinha, na ERS 142, em Não Me Toque, entroncamento com o município de Victor Graef. Conforme um dos organizadores do protesto, Oldemar Padilha, do município de Jóia, após o grupo partirá em caminhada por seis quilômetros até o parque da Expodireto. Haverá ônibus disponíveis para quem não têm condições de se deslocar a pé.

Afora questões de envidamento e cobrança de royalties, o movimento na Expodireto visa alertar sobre a crise nos setores do leite a arroz, importação de leite de países do Mercosul, insegurança jurídica, falta de políticas estruturantes para a agricultura e ainda haverá cobrança por uma política de seguro agrícola acessível e funcional. Oldemar Padilha comenta a preocupação com os royalties da soja. (Abaixo, áudio de Oldemar)

 

O grupo de Jóia sairá do muncípio as 3 horas da madrugada de segunda-feira, rumo à mobilização na Expodireto.

Fonte: RPI
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