O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Plano Diretor, vereador Almiro Fortes, PL, afirmou, em entrevista à Rádio Progresso, que em nenhum momento o vereador Chico Ortiz foi acusado durante os trabalhos da comissão. Segundo ele, muitas pessoas acabam interpretando dessa forma, porém esclareceu que esse nunca foi o objetivo da CPI.
Almiro explicou que o foco da investigação está nos atos administrativos praticados durante o período abrangido pela apuração, e não na responsabilização prévia de qualquer pessoa. Conforme destacou, estão sendo fiscalizados os procedimentos relacionados à elaboração e à execução do Plano Diretor realizados entre os anos de 2021 e 2026.
O parlamentar lembrou que, nesse período, Chico Ortiz ocupava o cargo de secretário municipal de Planejamento. Por isso, segundo Almiro, existe o entendimento de que os projetos relacionados ao Plano Diretor passaram pela análise da secretaria comandada por Ortiz, o que justifica a apuração dos atos administrativos da época.
De acordo com o presidente da CPI, Ortiz permaneceu na Secretaria de Planejamento até 2023, quando retornou à Câmara de Vereadores para reassumir sua cadeira no Legislativo. A partir desse momento, passou a integrar o Conselho do Plano Diretor -CONPLADIP, órgão consultivo, deliberativo e fiscalizador responsável por acompanhar e orientar a gestão e a atualização do Plano Diretor do município.
Almiro Fortes explicou que, no CONPLADIP, Chico Ortiz representa a Associação das Empresas Imobiliárias de Ijuí, por indicação da entidade, além de exercer o mandato de vereador. Segundo ele, essa dupla atuação pode gerar interpretações equivocadas, já que a mesma pessoa desempenha funções distintas em órgãos diferentes.
O presidente da CPI recordou ainda que, na primeira reunião da comissão, foi questionado ao vereador Chico Ortiz se ele se declararia suspeito para participar dos trabalhos, considerando que poderia ser ouvido durante a investigação. Conforme Almiro, Ortiz respondeu que não via impedimento e declarou estar apto a permanecer na comissão, da qual também é integrante.
Além de Almiro Fortes, a CPI é composta pelos vereadores Bira Teixeira, Valmir Godoi, Marildo Kronbauer e Chico Ortiz. O presidente ressaltou que a abertura da comissão foi aprovada pelo plenário da Câmara, enquanto a indicação dos integrantes ocorreu pelos partidos políticos.
Almiro também afirmou que, embora integrasse a CPI, Chico Ortiz seria ouvido na condição de testemunha. Entretanto, quando foi chamado para prestar depoimento, optou por permanecer em silêncio. Segundo o vereador, durante as oitivas realizadas pela comissão, alguns atos administrativos atribuídos a Ortiz acabaram sendo relacionados pelos depoimentos colhidos.
O presidente da CPI também comentou declarações feitas pelo advogado José Luiz Blaszak, em entrevista à Rádio Progresso na última sexta-feira, 3. Na ocasião, o advogado afirmou que Chico Ortiz não teria impedimento para participar de conselhos, citando que outros vereadores também integram colegiados semelhantes.
Almiro mencionou como exemplo citados pelo advogado, os vereadores Capitão Gilmar Bischoff e Rudimar Scheren, que também participam de conselhos e entidades. Segundo ele, Bischoff se declarou impedido e se absteve de votar em matéria relacionada ao repasse de um terreno, justamente para evitar qualquer conflito de interesse.
O vereador acrescentou ainda que Chico Ortiz, Rodrigo Noronha e Capitão Gilmar Bischoff também integram o conselho do Esporte Clube São Luiz. No entanto, destacou que esse conselho não está vinculado à administração pública, pois seus integrantes foram eleitos pelos associados do clube, e não nomeados pelo Poder Executivo, o que, em sua avaliação, diferencia essa situação da participação em órgãos públicos como o CONPLADIP.