Imagem ilustrativa gerada por IA Um projeto que pretende levar a agricultura regenerativa da teoria para a prática foi apresentado durante o II Encontro Gaúcho de Agricultura Regenerativa, em Ijuí. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Sebrae e o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS) e prevê o acompanhamento técnico de produtores rurais interessados em implantar esse modelo de produção.
Em entrevista à Rádio Progresso, o gestor de projetos do Sebrae, Leandro Ritter, explicou que a instituição atua como facilitadora de iniciativas capazes de fortalecer os pequenos negócios, incluindo os produtores rurais.
Segundo ele, os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos reforçaram a necessidade de buscar alternativas aos modelos tradicionais de produção.
“Vivemos um período de secas, enchentes e grande instabilidade climática. Ao mesmo tempo, os pacotes tecnológicos ficaram mais caros e menos sustentáveis. Precisamos buscar novas práticas que tornem as propriedades mais resilientes.”
Ritter destacou que a agricultura regenerativa representa uma mudança de filosofia dentro da propriedade rural.
“Não é um produto que o produtor compra e aplica. É uma mudança de manejo, baseada principalmente na biologia do solo e das plantas, reduzindo a dependência de insumos externos.”
Durante o evento, o Sebrae lançou a pré-inscrição para o projeto Transição para a Agropecuária Regenerativa, voltado inicialmente para 40 produtores.
Segundo Leandro Ritter, o objetivo é justamente auxiliar os agricultores na implantação prática dos conceitos apresentados durante o encontro.
“O evento inspira e apresenta novas ideias. Mas o verdadeiro desafio começa quando o produtor volta para casa e precisa aplicar isso na propriedade. É para isso que o projeto foi criado.” A iniciativa prevê consultorias individuais nas propriedades, dias de campo, cursos e palestras, metodologia semelhante à utilizada em outros programas do Sebrae, como os projetos de Integração Lavoura-Pecuária.
“O acompanhamento será personalizado porque cada propriedade possui características diferentes. Não existe uma receita única. O importante é adaptar os conceitos à realidade de cada produtor.”
Ritter também reforçou que ainda há vagas para participação no II Encontro Gaúcho de Agricultura Regenerativa e destacou a presença de especialistas nacionais, entre eles Celso Tomita, considerado um dos precursores da agricultura regenerativa no Brasil.