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Em entrevista à Rádio Progresso, presidente do Sulpetro alerta para escassez e alta do diesel no início do plantio no RS

18 de setembro de 2026

A escassez de óleo diesel e a alta dos preços do combustível acendem um alerta entre revendedores e produtores rurais do Rio Grande do Sul, especialmente diante da proximidade do início da semeadura das principais culturas agrícolas do Estado.

Em entrevista à Rádio Progresso, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro), Fabrício Severo Braz, relatou dificuldades de abastecimento enfrentadas pelo setor e afirmou que o cenário pode afetar diretamente as operações no campo.

Segundo o dirigente, os maiores problemas de fornecimento são registrados nos chamados postos de bandeira branca, estabelecimentos independentes que não mantêm contratos de exclusividade com grandes distribuidoras.

De acordo com Braz, as distribuidoras trabalham com cotas mensais de combustível definidas com base no histórico de aquisição dos estabelecimentos. Quando essas cotas são atingidas, parte da demanda adicional deixa de ser atendida. Nesse cenário, os postos independentes enfrentam maior dificuldade para adquirir o produto, enquanto os estabelecimentos vinculados às distribuidoras têm prioridade no fornecimento contratado.

A restrição no abastecimento ocorre em um período considerado estratégico para o agronegócio gaúcho, marcado pela preparação do solo e pelo avanço das janelas de plantio.

Com a melhora das condições climáticas e o início das operações nas lavouras, máquinas agrícolas passam a trabalhar por períodos prolongados, elevando significativamente o consumo de diesel.

Conforme o presidente do Sulpetro, já são registrados casos de desabastecimento temporário, com interrupções no fornecimento que podem durar de um a dois dias em determinadas localidades.

A situação também é agravada pela distância entre alguns municípios e as principais bases de distribuição. Em regiões afastadas de centros como Canoas, revendedores precisam percorrer distâncias maiores para buscar o combustível diretamente nas bases, aumentando os custos de transporte e logística.

O cenário de abastecimento também está relacionado às condições do mercado internacional de petróleo e diesel.

O Brasil depende de importações para complementar o abastecimento do mercado interno. Segundo as informações apresentadas pelo presidente do Sulpetro, cerca de 30% do diesel consumido no país é proveniente do exterior.

Com a valorização do petróleo no mercado internacional, aumentou a diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e as cotações externas. Braz estima essa defasagem entre R$ 2,80 e R$ 3,00 por litro.

Outro fator apontado pelo dirigente são os impactos provocados por ataques contra instalações de refino na Rússia, país que vinha desempenhando papel relevante no fornecimento de derivados de petróleo ao mercado internacional.

Com a redução dessa oferta, compradores brasileiros passaram a buscar alternativas em mercados como Estados Unidos e Índia, onde, segundo o setor, os custos de aquisição e transporte são mais elevados.

Nesse contexto, importadores privados e a Petrobras enfrentam dificuldades para ampliar as compras externas sem a perspectiva de repassar integralmente os custos ao mercado doméstico.

A redução da oferta também tem provocado pressão sobre os preços cobrados dos consumidores. Segundo dados apresentados pelo Sulpetro, desde o início de setembro, os preços do diesel S10 e do diesel S500 acumulam alta média próxima de 8% nos postos de combustíveis.

Entre os estabelecimentos de bandeira branca, que precisam recorrer com maior frequência ao mercado spot para complementar o abastecimento, o aumento acumulado chega a variar entre 10% e 15%, conforme a região e as condições de compra.

Em algumas localidades do Rio Grande do Sul, há relatos de preços próximos ou até mesmo na faixa de R$ 8 a R$ 9 por litro.

Diante das dificuldades de abastecimento, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou pedidos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e ao Ministério de Minas e Energia para que sejam realizadas ações de fiscalização sobre a distribuição de diesel no Estado.

A entidade também defende maior transparência na divulgação dos estoques regionais e informações sobre a disponibilidade do produto nas diferentes regiões.

Outro ponto de atenção envolve as medidas de apoio anunciadas pelo governo federal para o setor. Conforme o Sulpetro, os valores de subvenção mencionados, entre R$ 1,00 e R$ 2,12 por litro, podem contribuir para reduzir parte do impacto, mas não seriam suficientes para compensar integralmente a diferença em relação aos preços internacionais.

Braz também defendeu uma atuação mais efetiva da ANP para identificar as causas da falta de produto. Segundo ele, é necessário verificar se o problema decorre exclusivamente da insuficiência de diesel no mercado ou se existem situações de retenção de estoques por parte de distribuidoras na expectativa de novos reajustes.

A expectativa do setor é de que a chegada de navios transportando diesel importado contribua para ampliar a oferta no mercado gaúcho ao longo da segunda metade do mês.

A eventual regularização do abastecimento é considerada fundamental para reduzir os gargalos no fornecimento justamente durante o período de maior demanda no campo, quando produtores intensificam as operações de preparação do solo e semeadura das lavouras.

Fonte: Rádio Progresso


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