A falta de conscientização no descarte de resíduos tem agravado a realidade de cerca de 20 famílias que dependem da reciclagem em Ijuí. O alerta é do presidente da Associação de Catadores ARL 6, Fabrício dos Santos, que relata dificuldades crescentes enfrentadas no dia a dia de trabalho. Segundo ele, materiais que deveriam ser destinados corretamente tem sido descartados de forma irregular nos contêineres. Entre os itens encontrados estão restos de construção, como tijolos, concreto e lajotas, além de colchões, entulhos e até animais mortos, situações que inviabilizam o aproveitamento dos recicláveis.
A consequência é direta, na medida em que as famílias precisam dedicar mais tempo e mais esforço, e ainda lidar com o impacto na renda. “Tudo o que temos sai daqui”, resume Fabrício, ao destacar que a associação é a única fonte de sustento de trabalhadores que atuam há mais de 20 anos na atividade, desde a época do antigo aterro a céu aberto, e que há cerca de 10 anos operam em uma estrutura no bairro Lambari, voltada à coleta seletiva.
A situação chegou a um ponto crítico. Antes, a associação recebia cargas três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras. Agora, o recebimento de segunda-feira precisou ser suspenso devido ao volume e às condições do material. Uma carga que antes era processada em poucas horas, entre a manhã e o meio-dia, hoje pode levar até um dia e meio, já que o lixo chega misturado, mais pesado e, muitas vezes, impróprio para reciclagem. Além do desgaste físico, há ainda o sentimento de frustração, segundo Fabrício. Conforme relatou em entrevista nesta quarta-feira (15), em muitos casos, o trabalho acaba sendo em vão, já que parte do material não pode ser reaproveitada. Para os catadores, a percepção é de que a conscientização da população tem diminuído, quando o esperado seria o contrário.
Diante desse cenário, a associação faz um apelo à comunidade: separar corretamente o lixo é um gesto simples, mas fundamental. Materiais recicláveis devem ser destinados aos contêineres azuis, enquanto o lixo orgânico deve ser colocado nos contêineres laranja. Apesar das dificuldades, Fabrício reconhece o apoio do poder público, que disponibilizou a atual estrutura de trabalho, garantindo melhores condições frente ao sol e à chuva, além de disponibilizar alguns equipamentos importantes para o andamento do trabalho. Diante dessa atual realidade, a associação busca novos recursos, como a aquisição de uma empilhadeira, para facilitar a movimentação de materiais pesados, que hoje precisam ser carregados manualmente por duas ou três pessoas.
Ouça abaixo a entrevista completa: