Ijuí já tem cinco pessoas idosas sendo acolhidas por famílias da própria comunidade por meio do Programa Família Acolhedora. Criada pela Lei Municipal nº 7.782/2025, a iniciativa propõe uma alternativa à institucionalização de idosos, pessoas com deficiência e pessoas com transtorno mental severo que estejam em situação de vulnerabilidade, abandono ou com os vínculos familiares rompidos. A proposta representa uma mudança importante na forma de oferecer proteção a essas pessoas: em vez de serem encaminhadas necessariamente para uma instituição, elas podem passar a viver em uma residência familiar, com acompanhamento da equipe técnica do programa e subsídio do município.
Segundo o assistente social Cláudio Everaldo dos Santos, o programa já está em funcionamento e começa a se tornar referência para outros municípios. Ao mesmo tempo, a experiência revela um dos principais desafios: encontrar famílias com diferentes perfis que estejam dispostas a acolher. Entre as necessidades identificadas está a ampliação do número de famílias dispostas a receber homens idosos. Atualmente, segundo os profissionais, a maior parte das famílias acolhedoras é liderada por mulheres. A equipe busca também homens que estejam dispostos a participar da iniciativa, especialmente porque há idosos do sexo masculino que apresentam maior dificuldade de adaptação ao ambiente familiar.
A psicóloga Cleoci Rockenbach explica que a demanda pelo programa tende a crescer diante do envelhecimento da população. Há idosos que não possuem mais familiares, perderam seus vínculos ao longo da vida ou não encontram, dentro da própria família, pessoas em condições de assumir os cuidados necessários. Em muitos casos, são pessoas que chegam ao programa extremamente fragilizadas. A mudança proporcionada pelo acolhimento, porém, pode ser significativa. De acordo com a psicóloga, algumas das idosas atualmente acolhidas apresentaram uma melhora expressiva em pouco tempo. “Em um mês são outras pessoas”, relata Cleoci, ao descrever a transformação observada pela equipe.
O acolhimento também não precisa necessariamente ser permanente. Em determinadas situações, a permanência na família pode durar alguns meses, enquanto o idoso recupera forças, reorganiza sua vida e, eventualmente, retoma o convívio com familiares.
A família interessada passa por uma avaliação e recebe orientações da equipe técnica antes de iniciar o acolhimento. Também está sendo estruturada uma formação específica, com informações sobre os aspectos psicológicos, sociais e as necessidades de atenção da pessoa acolhida. Depois que o acolhimento começa, a família não fica sozinha. A equipe realiza visitas semanais, acompanha a adaptação e atua na mediação de eventuais dificuldades. A ideia é justamente construir uma relação de convivência baseada no respeito e na empatia. Isso é importante porque cada pessoa acolhida tem sua própria história, hábitos, personalidade e experiências de vida.
Caso a adaptação não aconteça de forma satisfatória, o acolhimento pode ser reorganizado e o idoso encaminhado para outra alternativa de proteção.
Outro ponto importante é que a família acolhedora recebe apoio financeiro. Nos casos de idosos que possuem aposentadoria ou Benefício de Prestação Continuada (BPC), 70% do benefício é destinado à manutenção do próprio idoso, incluindo alimentação e outras necessidades. Além disso, há um valor subsidiado pelo município e repassado à família acolhedora como forma de apoio pelo acolhimento realizado.
Para Cláudio, esse mecanismo reconhece que receber uma pessoa em casa também representa uma responsabilidade e exige dedicação da família. Mais do que oferecer moradia, entretanto, o programa pretende garantir algo que muitas vezes foi perdido ao longo da vida: a convivência familiar.
“Ele fica num lugar que perde um pouco da sua identidade, mas que ele possa ficar com uma família e ter uma convivência familiar depois na velhice também”, explica o assistente social.
Por isso, a equipe reforça que não existe um único perfil de família acolhedora. Famílias de diferentes condições sociais e também pessoas que vivem sozinhas podem participar. O mais importante é ter disponibilidade, responsabilidade, empatia e disposição para construir uma relação de convivência.
E, neste momento, o convite é especialmente direcionado aos homens de Ijuí. Aqueles que têm interesse em conhecer a iniciativa podem procurar o CRES, na Rua José Bonifácio, número 700, no Centro, ou entrar em contato pelo telefone (55) 3331-8244. Basta informar que o assunto é o Programa Família Acolhedora e solicitar contato com o assistente social Cláudio ou com a psicóloga Cleoci.