Em decisão tornada pública na semana passada, a direção do HCI definiu pelo desligamento do médico oncologista Fábio Franke da função de coordenador do Cacon. Ele ocupava a coordenação do Centro de Alta Complexidade em Oncologia no hospital há 21 anos, período no qual o Cacon se tornou referência nacional no tratamento do câncer. Fábio Franke concedeu entrevista à Rádio Progresso na manhã de hoje, e deixou claro que seguirá atendendo pacientes do Cacon, já que apenas o contrato como coordenador que ele mantinha com o hospital foi rompido. A estrutura mantém uma média de mil pacientes em tratamento contra o câncer, e 80% deles são tratados através do SUS. Ao falar sobre a saída da coordenação do Cacon, Fábio Franke afirmou que acredita que a motivação da direção do HCI tem a ver com questões de política interna do hospital.
“Acho que teve a ver com a questão política, em termos de discordância de ideias mesmo. Mas não sou apegado a cargos, sempre afirmo que a vida me deu uma oportunidade fantástica de voltar para a cidade onde nasci, e cuidar das pessoas que já me cuidaram. Esse envolvimento com a comunidade é fantástico, inclusive o salário que eu recebia enquanto coordenador do Cacon era bastante defasado, não era o motivo principal pra eu estar lá. O motivo é o idealismo que tenho de poder fazer algo pela nossa comunidade. Depois da eleição acirrada que tivemos no HCI, é normal que haja discordância. Só acredito que é preciso separar as questões políticas do que é pensar o futuro do hospital. Essas pessoas (da atual diretoria) passam, a condição que elas ocupam é momentânea. Mas o HCI, que atende 80% dos pacientes com câncer pelo SUS é extremamente importante e necessário. E é uma pena que ele tenha sua imagem desgastada num momento tão delicado quanto esse, de pandemia, onde deveríamos unir forças”, afirma.
A justificativa dada pelo HCI é de que Fábio Franke coordena uma iniciativa privada de tratamento contra o câncer e, por isso, não poderia acumular a coordenação de um serviço público. O médico oncologista ijuiense também é referência nacional em pesquisa clínica, serviço que visa a descoberta de novos medicamentos e tratamentos contra diversas doenças, mas principalmente o câncer. Com sua saída da coordenação do Cacon, a tendência é de que a pesquisa clínica seja direcionada para a estrutura do Hospital Unimed em Ijuí.
Nos últimos anos mais de 100 procedimentos de pesquisa clínica já foram realizados em Ijuí, que se tornou referência internacional no serviço. Há possibilidade, inclusive, de uma nova vacina contra a Covid-19 ser testada no município neste ano, dentro da estrutura de pesquisa montada nos últimos anos.