Uma viagem que seria de lazer acabou se transformando em dias de apreensão para Rosete Trevisol, conhecida como Teti, que por 25 anos foi moradora de Ijuí. Ela e o esposo ijuiense Pablo Schiavo, estão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde enfrentam dificuldades para retornar ao Brasil em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
O casal chegou ao destino no dia 26 de fevereiro, apenas dois dias antes do início dos ataques com drones e mísseis ligados ao agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O cenário se intensificou após ofensivas conjuntas de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com ataques em diferentes países da região, incluindo os Emirados Árabes Unidos, onde fica Dubai.
No entanto, o casal chegou a Dubai por uma rota diferente da utilizada pela maioria dos brasileiros. Enquanto grande parte dos turistas costuma viajar pela companhia aérea Emirates, com voos diretos partindo de São Paulo, eles optaram por um trajeto alternativo. Como estavam em férias, embarcaram com a KLM, realizando a viagem com conexão pela Europa. Segundo Rosete, justamente essa companhia tem enfrentado dificuldades para manter a operação de retorno, o que tem impedido o embarque de muitos turistas de volta aos seus países de origem.
Segundo Rosete, o voo de retorno ao Brasil, com destino final a Balneário Camboriú, onde o casal reside atualmente, estava previsto para ontem (4), mas foi cancelado. A viagem chegou a ser remarcada para a próxima segunda-feira, dia 9, porém a companhia aérea informou um novo cancelamento.
A suspensão ocorre devido ao fechamento ou à grande redução do espaço aéreo para voos comerciais, por questões de segurança. Conforme Rosete, milhares de turistas e expatriados estão temporariamente impedidos de deixar o país, aguardando novas opções de voo ou operações organizadas por governos estrangeiros.
Ela relata que algumas pessoas com maior poder aquisitivo têm buscado alternativas, pagando valores elevados por jatos privados ou rotas alternativas de saída.
Enquanto aguardam uma solução, o casal permanece praticamente recluso no hotel, saindo apenas em situações de necessidade. Rosete conta que, do local onde estão hospedados, é possível ouvir os barulhos dos ataques. No primeiro dia da ofensiva, inclusive, eles conseguiram visualizar as ações militares à distância, o que aumentou ainda mais o clima de tensão e medo.
Rosete também desmentiu informações que circulam nas redes sociais de que o governo local estaria prestando auxílio aos turistas que ficaram impossibilitados de retornar aos seus países de origem. Segundo ela, até o momento não houve qualquer tipo de ajuda financeira.
Todos os custos extras com hospedagem, alimentação e demais despesas estão sendo pagos pelo próprio casal. Rosete relata ainda que, até agora, não receberam nenhum tipo de apoio, nem da embaixada do país onde estão, nem do governo brasileiro.
Diante da situação, eles avaliam outras alternativas para conseguir retornar ao Brasil, mas ainda não sabem de que forma isso será possível.