A Emater/RS-Ascar concluiu em junho de 2026 o projeto Geotecnologias na Recuperação de Áreas Degradadas pelas Enchentes no Rio Grande do Sul, iniciativa financiada pelo Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, que fortaleceu a utilização de geotecnologias como ferramenta de apoio à recuperação ambiental e ao planejamento territorial após as enchentes que atingiram o Estado em maio de 2024. O projeto teve duração de 18 meses e investimento total de R$ 246.099,24, dos quais R$ 190.382,76 foram aportados pelo FRBL. A participação da Emater/RS-Ascar ocorreu por meio de contrapartida em serviços técnicos especializados, equivalente a R$ 55.716,48.
A proposta teve como objetivo gerar informações geoespaciais capazes de subsidiar a recuperação de áreas degradadas, utilizando drones, sensoriamento remoto, processamento fotogramétrico e sistemas de informações geográficas para avaliar os impactos provocados pelas enchentes. Os levantamentos concentraram-se em áreas representativas das bacias hidrográficas dos rios Taquari-Antas, Jacuí e Sinos, selecionadas por apresentarem diferentes tipos de danos, como deslizamentos de encostas, processos erosivos, alagamentos, inundações e deposição de sedimentos.
Durante a execução do projeto foram realizados aerolevantamentos com drones, geração de ortomosaicos, modelos digitais de superfície e de terreno, nuvens de pontos tridimensionais e mapas temáticos de alta resolução. Para a utilização dessas tecnologias, a equipe da Emater/RS-Ascar contou com o apoio técnico da Embrapa Clima Temperado, sediada em Pelotas, que contribuiu para a capacitação e o aperfeiçoamento da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto, fotogrametria e geoprocessamento empregadas nas atividades do projeto.
Os produtos gerados permitiram caracterizar com precisão as alterações na cobertura do solo, os impactos sobre Áreas de Preservação Permanente (APPs), a dinâmica hidrossedimentar dos cursos d’água e os processos geomorfológicos desencadeados pelo evento climático extremo, produzindo informações técnicas para apoiar ações de recuperação ambiental, conservação dos recursos naturais e planejamento territorial.
Entre os principais resultados estão a elaboração de seis relatórios técnicos, contemplando duas áreas de estudo em cada uma das três bacias hidrográficas avaliadas. Os documentos apresentam diagnósticos ambientais detalhados, mapas, gráficos, modelos tridimensionais e recomendações técnicas para recuperação de áreas degradadas, estabilização de encostas, manejo de áreas inundáveis, proteção de APPs e prevenção de novos impactos associados a eventos climáticos extremos.
Além da produção dos estudos técnicos, o projeto também possibilitou a modernização da infraestrutura do Laboratório de Geoprocessamento da Gerência Técnica da Emater/RS-Ascar, por meio da aquisição de três drones DJI Mini 4 Pro Fly More Combo, três estações de trabalho HP ZBook Power G11, três licenças vitalícias do software Agisoft Metashape Professional e cartões de memória de alta capacidade para armazenamento das imagens captadas em campo.
“Esses equipamentos ampliam de forma significativa a capacidade institucional para a realização de aerolevantamentos com drones, processamento fotogramétrico, geração de ortomosaicos, modelos digitais de terreno, mapas temáticos e demais produtos cartográficos de alta precisão, fortalecendo as ações de monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas, restauração ecológica e assistência técnica desenvolvidas pela Emater”, avalia a coordenadora de Projetos Ambientais da Emater/RS-Ascar, Thaís Michel.
O projeto também consolidou uma metodologia de trabalho baseada na integração entre geotecnologias e Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters), permitindo que as informações produzidas sejam utilizadas em projetos de recuperação ambiental, restauração ecológica, monitoramento de áreas degradadas, apoio à elaboração de políticas públicas e atendimento a municípios afetados por desastres naturais. “A experiência fortalece a atuação da Emater/RS-Ascar frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e amplia sua capacidade de oferecer suporte técnico qualificado aos agricultores, às comunidades rurais e aos órgãos públicos”, complementa Thaís.
Com a conclusão do projeto, a Emater/RS-Ascar entrega ao Rio Grande do Sul um importante conjunto de informações técnicas, produtos cartográficos e infraestrutura permanente para o uso de geotecnologias, contribuindo para que futuras ações de recuperação ambiental, adaptação climática e desenvolvimento rural sustentável sejam conduzidas com maior precisão, eficiência e segurança.