Segundo o escritório regional da Emater, com sede em Ijuí, abrangência de 44 municípios, já há pequena área semeada de soja nessa nova safra, nos municípios onde as chuvas dos últimos dias não foram tão intensas. Até o momento, a estimativa é de plantio de 0,30% da área projetada de 1 milhão e 7 mil hectares. A avaliação indica que os agricultores deverão escalonar a semeadura da soja, devido às previsões de clima mais úmido, visto as chuvas, em razão do fenômeno El Niño, o que diminui períodos com umidade adequada para plantio.
A Emater regional de Ijuí também divulgou levantamento sobre a canola. A colheita dos cerca de 83 mil e 500 hectares, nos 44 municípios de abrangência, está em 16%, com rendimento médio de 24,8 sacas por hectare. Do restante da área, em torno de 50% está em maturação e 33% em granação. A canola que é colhida apresenta umidade muito acima da adequada, porém, devido às constantes chuvas, o trabalho precisa ser feito para evitar aumento de perdas por debulha e germinação de sementes nas síliquas. No município de Tenente Portela, com pequena área da cultura e primeira experiência dos produtores, a colheita foi concluída. A produtividade ficou abaixo do esperado, entre 19 e 27 sacas por hectare mas, apesar do clima adverso, os produtores avaliam positivamente os resultados da canola em relação à principal cultura de inverno, o trigo. O preço médio pago ao agricultor pela saca de 60 quilos de canola, na região de Ijuí, é de R$ 141, com variação entre R$ 135 e R$ 150.
E ontem à tarde, no parque de exposições de Ijuí, durante a Expofest, houve a abertura nacional da colheita da canola e carinata. O secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Márcio Madalena, participou do evento e destacou o potencial da canola e da carinata como alternativas para a agricultura de inverno. Segundo ele, o avanço dos biocombustíveis e a demanda por matérias-primas para a produção de energia ampliam as perspectivas para as culturas no Estado. Márcio Madalena disse que a área cultivada com canola no Rio Grande do Sul mais que dobrou entre as safras de 2025 e 2026. Ele também apontou a possibilidade de agregação de valor à produção agrícola por meio da industrialização das oleaginosas.
Já o diretor técnico da Emater, Mateus Soares da Rocha, ontem, em Ijuí, na abertura da colheita da canola e carinata no Brasil, destacou que as condições climáticas adversas se tornaram o novo normal para o Rio Grande do Sul. Ressaltou que mesmo com os prejuízos previstos devido às chuvas e temporais, há previsão de safra que deve escrever uma nova história para a canola. Mateus da Rocha reforçou que a canola e carinata são culturas que vieram para ficar no Estado, principalmente se pensar no viés dos biocombustíveis. Para o diretor da Emater, a região administrativa da Emater de Ijuí é um grande celeiro dessas produções.