O governo do Estado, por meio de pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), avança na validação a campo de um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones. A fase mais recente dos testes ocorreu nesta semana em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, marcando um novo passo rumo a uma alternativa mais sustentável ao modelo tradicional baseado em químicos. O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas.
Desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), o projeto propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar o animal com produtos químicos, a estratégia atua no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida.
A iniciativa parte de uma lacuna tecnológica. Atualmente, não há produtos disponíveis, em escala pecuária, voltados ao controle de parasitas no ambiente. “A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatiza o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck.
Reck explica que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação.
“Projetos assim são fundamentais para avançarmos em soluções práticas diante de um problema recorrente no dia a dia dos produtores. A atuação técnica e a expertise da Secretaria da Agricultura permitem não apenas o desenvolvimento, mas também a validação de alternativas inéditas, mais sustentáveis e alinhadas às demandas atuais da pecuária”, destaca o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.