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Levantamento da Emater prevê dobro de área com canola nesse ano no Rio Grande do Sul e 30% a menos de trigo

23 de junho de 2026

Estimativa inicial da safra de inverno deste ano no Rio Grande do Sul, divulgada ontem à tarde pela Emater, aponta a canola como grande destaque. A expectativa é que a área com a cultura tenha aumento de 102,64%, num total de 353.397 hectares. A produção deverá ser de 571.975 toneladas, 100,35% superior à safra de 2025, que foi de 285.481 toneladas. Já a produtividade média esperada, de 27 sacas por hectare, é 2,09% abaixo do ano passado. Dentre os 44 municípios do escritório regional da Emater, com sede em Ijuí, a tendência é de 83.570 hectares de canola, rendimento médio projetado de 27 sacas por hectare. A regional da Emater de Ijuí possui a maior área de canola no Estado. Após, aparece a região de Santa Rosa, com 73.598 hectares.

Esse grande acréscimo de canola em 2026 no território gaúcho também se reflete na regional da Emater de Ijuí, visto aumento de 43.677 hectares com a cultura, ou seja, a área mais que dobra num cotejo com ano passado. Já referente à carinata, da mesma família da canola, que começa ganhar área no Rio Grande do Sul, a perspectiva é de 2.515 hectares na abrangência da regional da Emater de Ijuí. O escritório regional da Emater, sediado em Santa Rosa, deve confirmar a maior área do território gaúcho com carinata, total de 2.679 hectares. Na sequência vem a região de Bagé, 2.500 hectares.

O trigo, que já foi o principal cereal cultivado no inverno gaúcho, prevê para esta safra área de 814.220 hectares, 30,18% a menos se comparado a 2025. A produção deverá ter redução de 36,39%. Nos 44 municípios do escritório regional da Emater, com sede em Ijuí, deverão ser plantados 227 mil hectares com trigo, perspectiva de 44 sacas de média por hectare. As, pela ordem, surgem com mais tendência de área de trigo as regiões de Santa Rosa, com 179.430 hectares, e de Frederico Westphalen, com 102.020 hectares. Especificamente em Ijuí, o plantio do trigo está em cerca de 65% e o município deverá ter diminuição de área num comparativo com ano passado. Em termos de comparação, no ano passado a região da Emater de Ijuí contabilizou 310.525 hectares de trigo, ou seja, nessa safra a previsão é de 33.525 hectares a menos. Cevada e aveia foram outras culturas que tiveram dados relatados ontem pela Emater no Rio Grande do Sul.

Principal insumo das cervejarias, a cevada apresenta queda de 36,52% na área no Rio Grande do Sul e cálculo de 47,07% a menos na produção. A região de Ijuí deverá totalizar 2.980 hectares de cevada, com rendimento médio de 41,15 sacas por hectare. Também ontem, na primeira estimativa de safra de inverno, a Emater informou que a aveia branca apresenta tendência de redução de área, produção e produtividade, em comparação com 2025. Deverão ser cultivados 387.697 hectares, queda de 1,38% em relação à safra passada. Já quanto à perspectiva de produtividade por hectare, se espera diminuição de 3,01%. Nos 44 municípios da regional da Emater de Ijuí, são 110.515 hectares, disparada a maior área do Estado. Em segundo lugar está a região de Santa Rosa, 58.350 hectares. Para a região de Ijuí se espera rendimento médio de 40 sacas por hectare de aveia branca. Já a aveia preta vai ser cultivada em 94.950 hectares no Rio Grande do Sul. As regiões de Ijuí, Santa Maria e Soledade são as principais produtoras, com respectivamente 32.400 hectares, 14.880 hectares e 10.785 hectares cultivados.

No geral, o Estado deverá cultivar 10,76% de área a menos nesse inverno, em comparação à safra anterior, com estimativa de 22,15% de diminuição de produção. A redução da área cultivada ocorre devido à combinação de fatores, como elevados custos de produção, baixa atratividade econômica dos cereais e aumento da percepção de risco produtivo, associado à previsão de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. 

No mesmo evento de ontem da Emater, o agrometeorologista da secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Flávio Varone, disse que a previsão é de inverno com temperatura e chuvas acima da média, além de El Niño que deve se acentuar na primavera. Isso poderá se refletir em chuva excessiva no final de ciclo da safra de inverno, com problemas na qualidade dos grãos e na colheita. Não há tendência de geadas tardias. Varone antecipa ainda que o excesso de umidade no solo pode comprometer o início da safra de verão, com atraso na semeadura.

Fonte: RPI e Emater
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