Deputada Adriana Lara solicita respaldo para defesa do setor de carnes do RS A presidente da Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais da Assembleia Legislativa, deputada Adriana Lara (PL), durante a reunião ordinária do Colegiado, no final da manhã desta quarta-feira (24), pediu o apoio dos parlamentares para criação da Frente Parlamentar em Defesa da Carne Gaúcha. A reunião contou com a participação do vice-presidente do Comércio Exterior da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (FEDERASUL), Rodrigo Velho. Ele falou sobre os impactos do bloqueio da União Europeia à carne brasileira, especialmente para o Rio Grande do Sul, no contexto das relações comerciais do Mercosul.
Antes de apresentar o convidado, a deputada Lara afirmou que o Brasil é o único país do Mercosul com restrição de venda de carne do Mercosul. “Mais uma vez a inépcia do governo federal prejudica os produtores gaúchos e a economia do Rio Grande do Sul (RS)”, ressaltou. Ela destacou que as regiões do estado mais afetadas pela medida são a Fronteira Oeste, Campanha e Região Sul. “As perdas estimadas em Bagé, Dom Pedrito, São Gabriel, Alegrete, Uruguaiana e Livramento chegam a 600 milhões de reais para o setor”, revelou.
A deputada salientou, ainda, que a avicultura gaúcha é a terceira maior exportadora de carne de frango do Brasil e a pecuária de corte bovina é o segundo segmento mais afetado. “Somente em 2026, o setor exportou mais de 2,1 mil toneladas para a União Europeia”, apontou.
Para Adriana Lara, com o veto às exportações brasileiras, os gaúchos amargam a interrupção do ciclo de crescimento das exportações, que atingiu mais de 700 milhões de dólares, com alta de 22,4% neste quadrimestre. “Não podemos assistir à derrocada deste setor do agro gaúcho de braços cruzados. Peço apoio da Comissão para a Frente Parlamentar em Defesa da Carne Gaúcha, em processo de instalação nesta Casa”, conclamou.
Conforme ela, a Frente busca um posicionamento do Estado na geração de divisas e exportações e é imperativa para a defesa da nossa produção e o efetivo retorno econômico para o setor, evitando perdas significativas. “Em outra ação, queremos articular com o Congresso Nacional, buscando agenda conjunta desta Comissão em defesa da carne gaúcha, através da Frente Parlamentar da Integração Mercosul/União Europeia e a representação brasileira no Parlamento do Mercosul”, informou.
Rodrigo Velho explicou que a proibição da importação de carne brasileira para os europeus acontece por impasse entre União Europeia e o Brasil a respeito da utilização de medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais. “Tudo ocorreu porque o nosso país não comprovou, dentro das exigências europeias, que cumpre as regras contra o uso de certos medicamentos antimicrobianos na pecuária”, apontou.
Segundo ele, o bloqueio não está valendo neste momento e o Brasil tem condições de reverter o cenário. “Temos até o dia 3 de setembro para que entre em vigor as restrições. Há uma delegação brasileira, em Bruxelas, tratando do assunto e apresentando novos protocolos, fornecendo a documentação exigida, para tentar reverter a sanção antes do prazo de setembro”, relatou.