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Dor e lembranças: Julgamento da Kiss expõe luta de sobreviventes para deixar casa noturna

5 de dezembro de 2021

O quarto dia de julgamento do caso da Boate Kiss, tragédia ocorrida em 2013 em Santa Maria e que terminou com a morte de 242 pessoas, ocorreu ontem com o depoimento de três pessoas. A exemplo das sessões anteriores, a de ontem teve depoimentos contundentes e carregados de emoção, principalmente quando os depoentes Maike Adriel dos Santos e Cristiane dos Santos assumiram a palavra em frente ao juiz Orlando Faccini Neto. A luta para sair da casa noturna foi exposta nas duas manifestações, enquanto a testemunha de defesa Alexandre Marques recordou que o uso de artefato de fogo já havia sido vetado uma vez no local.

O sábado no julgamento da Boate Kiss começou com a testemunha de defesa Alexandre Marques sendo questionado diante do júri. Pouco depois das 9h, Marques, arrolado pelos representantes de Elissandro Spohr, iniciou um depoimento que duraria cinco horas. Alexandre disse que, na época (antes de 2013), não era costume informar ao estabelecimento em que alguma banda faria show se usaria artefatos. 

A segunda pessoa a falar em frente ao júri Iontem (04) foi o sobrevivente Maike Adriel dos Santos. Com 29 anos, ele contou ao juiz Orlando Faccini Neto como conseguiu sair da casa noturna em meio ao incêndio. Recordou ainda que desmaiou no meio do caminho.

O sábado de depoimentos foi encerrado com a sobrevivente Cristiane dos Santos, de 34 anos. Ela perdeu 15 amigos na tragédia de Santa Maria. Em relato ao juiz Faccini Neto, contou os momentos que antecederam o incêndio e disse que conseguiu sair porque conhecia a boate Kiss. Sem visão e enfrentando o calor do fogo, Cristiane disse que a fumaça se deslocou rapidamente, enquanto ela e outras pessoas precisavam caminhar devagar.  Cristiane recordou que observou os artefatos presos no palco antes do show da banda Gurizada Fandangueira. “Se o dono não sabia (que haveria fogos), alguém sabia. Já estavam presos (preparados) no palco antes do show”, afirma a depoente.

O julgamento prosseguiu neste domingo (05). O engenheiro civil, Thiago Mutti, de 46 anos – arrolado pela defesa de Mauro Hoffmann – foi de testemunha para informante hoje.  A alteração ocorreu após o Ministério Público apontar outros dois processos que, conforme o órgão, o profissional possui envolvendo fraude e falsidade ideológica. Mutti trabalhou nas obras da boate, participando das reformas da casa em 2009.

 

Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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