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Região de Ijuí terá chuva acima da média com El Niño, mas intensidade do fenômeno ainda é incerta, diz Camila Cardoso

24 de abril de 2026
Imagem ilustrativa gerada por IA

Produtores rurais da região de Ijuí demonstram preocupação diante das informações recentes que circulam sobre a possível intensidade do fenômeno El Niño. Muitos temem que o cenário possa resultar em chuvas acima da média e até episódios de enchentes, o que poderia comprometer o andamento das culturas de inverno. Para esclarecer o que, de fato, pode ser esperado e trazer informações com base técnica, a reportagem conversou hoje com a meteorologista da Rádio Progresso, Dra. Camila Cardoso.
Segundo ela, realmente modelos climáticos mais recentes apontam para a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño entre o inverno e a primavera deste ano, com potencial variando de moderado a forte. No entanto, a intensidade exata do fenômeno e os reflexos na região de Ijuí ainda são uma incógnita, conforme explicou a especialista.

Conforme Camila, apesar do aumento de informações que circulam nos últimos dias, muitas delas com caráter alarmista, é preciso cautela ao interpretar previsões de longo prazo. “Vivemos uma era de informação em alta velocidade, onde surgem conteúdos de diferentes qualidades técnicas. Nem tudo que circula reflete, de fato, o cenário mais provável”, destacou. A meteorologista explicou que o período atual, durante o outono, é marcado por um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”, que reduz a confiabilidade das projeções oceânicas de longo prazo. Isso ocorre porque os modelos trabalham com séries estatísticas e, nesse momento do ano, apresentam maior grau de incerteza.

Ainda assim, Camila afirma que há consenso entre os principais modelos quanto à formação do El Niño. “Existe uma alta probabilidade de configuração do fenômeno entre o inverno e a primavera. O que ainda está em aberto é a intensidade, ou seja, o quanto as águas do Oceano Pacífico vão aquecer”, explicou. Caso o cenário se confirme, os impactos já são relativamente conhecidos para o Rio Grande do Sul. A tendência é de aumento no volume de chuvas, especialmente entre o final do inverno e a primavera.

Apesar disso, a meteorologista fez um alerta importante em relação ao clima de preocupação, principalmente na Região Metropolitana, onde cresce o temor por novos episódios de enchentes. “A meteorologia deve ser usada como ferramenta de apoio, não de pânico. É fundamental evitar que previsões gerem impactos psicológicos desnecessários na população”, afirmou.

Por fim, Camila Cardoso reforçou a importância de buscar informações em fontes confiáveis e utilizar as tendências climáticas de forma estratégica, especialmente no setor produtivo. “O produtor rural, por exemplo, pode se beneficiar muito ao acompanhar previsões consistentes e se planejar com base nelas”, concluiu. O fenômeno, caso se confirme, deve se estender ao menos até a primavera, exigindo atenção contínua da população e das autoridades, mas sempre com base em informações técnicas e atualizadas.

Fonte: RPI
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